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segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Chegámos a Fisterra - Pedro Miguel Rocha

SINOPSE:
Chegámos a Fisterra convida o leitor a acompanhar de perto a história pessoal de Chris Andrew Brown, um jovem bibliotecário inglês de 23 anos. Chris descobre, no depósito da biblioteca de Old Harlow, em Inglaterra, um misterioso livro esquecido pelo Tempo.
A obra, escrita por um autor galego no início da década de 90, coloca em causa a presente organização da nossa sociedade e aponta caminhos alternativos que se revelam comprometedores para as grandes empresas multinacionais, já que estes apontam claramente para uma desmaterialização da sociedade e para um regresso inequívoco ao Passado.
Ao querer fazer renascer a referida obra, o bibliotecário inglês enfrentará perigos inesperados, deparando-se com a obscuridade dos corredores do Poder, cujos detentores não permitem que as bases da sociedade capitalista possam ser colocadas em causa por um manuscrito que a História havia já condenado ao esquecimento.
Chegámos a Fisterra demonstra-nos, assim, a força ideológica que as páginas de um livro podem encerrar, bem como a sua capacidade de resistência perante as crescentes tentativas de censura e de manipulação da informação.

OPINIÃO:
Em primeiro lugar tenho de dizer que adorei o “Chegámos a Fisterra”. Nunca fui fã de histórias de acção, investigação ou mesmo policiais mas o Pedro Miguel Rocha construiu uma narrativa sólida e extremamente cativante, de devorar página a página.
A temática do livro proibido não é de facto novidade. A censura é um tema corrente na literatura mas nunca relativa ao século XXI. É inimaginável imaginar que nos dias actuais possa haver forças que barrem determinadas informações à humanidade. No entanto o “Chegámos a Fisterra”, através de um enredo impressionante carregado de acção, entrega-nos a um mundo onde a corrupção existe e a força do dinheiro sobrepõe-se a qualquer lei democrática, até mesmo moral.
Quanto à constituição formal da obra, Pedro Miguel Rocha escreve com mestria, pois, além do bom uso do português, escreve com fluência evitando os momentos mortos que este género de narrativa dispensa. A história arrebata-nos com surpresas constantemente para que o leitor não perca o interesse. Por fim, é-nos dado a conhecer o íntimo das personagens na primeira voz, o que permite uma conexão mais intrínseca com os mesmos.
Tenho de mencionar que desenvolve no leitor sentimentos de angústia, revolta e algum receio porque sendo cruamente relatada num espaço real, a obra é derradeiramente realista e é muito fácil ver-nos na pele das personagens.

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