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Segunda-feira, 4 de Junho de 2012

Entrevista a Pedro Pereira


1. Fala-nos um pouco sobre ti.
Nasci a 6 de Junho de 1987, na cidade da Covilhã onde, ainda hoje, resido. Sempre tive uma imaginação muito ativae, já em criança, adorava passar para o papel os mundos e as aventuras que eu próprio criava, se bem que, por essa altura, concretizava esses pensamentos sob a forma de banda desenhada. Mais tarde, por volta dos meus 15 anos, fartei-me um pouco da banda desenhada e resolvi, por isso, procurar novos desafios, começando a passar as minhas histórias para o estilo de prosa.
Aos 17 anos escrevi “Apocalipse – Os Escolhidos”, livro que acabou por ser publicado em 2008 pela Chiado Editora. De lá para cá, escrevi o segundo livro da saga, “Apocalipse – O Despertar” (2010), desta vez publicado pela Bubok.
Atualmente, encontro-me a trabalhar no terceiro volume da saga e a terminar o Mestrado em Engenharia Informática, na Universidade da Beira Interior.

2. Agora sobre o teu livro.
“Apocalipse – os Escolhidos” começou por ser uma “brincadeira” e acabou por se tornar numa grande aventura. Inicialmente, quando escrevi o livro, a ideia não era publicá-lo. Contudo, perante a insistência dos meus amigos, acabei por enviar o livro a algumas editoras, e a Chiado mostrou-se interessada na publicação. Foi um processo complicado, pelo que demorei quase 4 anos até conseguir ter o livro publicado. Contudo, sou o primeiro a reconhecer que hoje teria feito muita coisa diferente, desde a abordagem que tive para com as editoras, como a própria forma como o livro foi trabalhado. Eu era muito novo e não tinha, de facto,a noção exata do que implicava publicar um livro.
Mas agora, voltando ao livro propriamente dito, “Apocalipse – os Escolhidos” é o primeiro livro de uma saga que vai ser composta de cinco volumes. Neste primeiro livro, é-nos dado a conhecer o universo onde se desenrola a saga, um mundo habitado por demónios, onde a humanidade é obrigada a refugiar-se para sobreviver.
Durante o livro, acompanhamos as aventuras de Roger Hawkins e dos Escolhidos, enquanto estes lutam para travar os planos de Lúcifer e das suas forças demoníacas. Basicamente, este livro serve de uma introdução a todo o ambiente onde se vai desenrolar a saga.

3. De onde surgiu a ideia para esta história?
Curiosamente, o conceito da luta entre os Escolhidos e os demónios foi uma invenção minha, aquando dos meus 10 ou 11 anos. Nessa altura, eu passava horas e horas a trabalhar naquelas bandas desenhadas. Obviamente que o mundo, as personagens e o enredonada têm a ver com as histórias que criava nessa altura, mas o conceito original surgiu daí. Aos 17 anos decidi pegar novamente na ideia base e desenvolve-la, tendo como resultado o universo da saga Apocalipse.

4. Já tens projetos futuros? Pretendes manter o mesmo género? Podes dar-nos uma luz do que virá?
Já tenho algumas ideias sobre o que quero escrever quando terminar a saga Apocalipse: continuarão a ser trabalhos do género fantástico mas, para já, estou concentrado em terminar o terceiro volume da saga,o qualestará terminado dentro em breve, de acordo com as minhas previsões. Uma vez terminado o terceiro livro, tenciono reescrever “Apocalipse – Os Escolhidos”. Tal como disse anteriormente, eu era muito novo quando escrevi a versão original, pelo que tenciono voltar a escrever o livro, trabalhando-o melhor, dando mais enfâse a algumas situações e personagens, às quais na altura não dediquei tanto tempo. Porém, a história e os eventos retratados nesta nova versão serão os mesmos que na versão original, de forma a não haver discrepâncias no universo da saga.

5. O que pensas da literatura portuguesa? Costumas ler? Achas importante apostar no que é nacional?
Confesso que só comecei a dedicar tempo à literatura do fantástico nacional há coisa de dois anos. Contudo, tenho vindo a ler trabalhos de novos autores portugueses que se têm revelado agradáveis surpresas, como é o caso do Soberba Escuridão.
Cada vez mais sou da opinião de que temos autores de grande qualidade no que toca ao género fantástico em Portugal. Do mesmo modo, estou plenamente convencido de que, caso lhes seja dada uma oportunidade, eles irão surpreender os leitores, tal como tal como aconteceu comigo.

6. Autores que te inspiram:
Uma autora que, sem dúvida, contribuiu para o meu gosto pela leitura, foi J. K. Rowling. Foi através dos livros do Harry Potter que ganhei o gosto pela leitura e fiquei a conhecer o género fantástico.
Atualmente, os autores que mais me inspiram são Anne Bishop, Robert Jordan, e George R. R. Martin, cujas obras comecei a ler muito recentemente, mas de quem já sou fã.

7. Livros:
·         Trilogia das Joias negras – Anne Bishop
·         Saga da Roda do Tempo – Robert Jordan
·         Saga das Memórias de Idhún – Laura GallegoGarcía
·         Trilogia Mundos Paralelos – PhilipPullman

8. Filmes:
·         Buffy, the vampire slayer (série)
·         Angel (série)
·         Supernatural (série)
·         Os filmes de StarWars
·         Os filmes de Underworld
·         Basicamente, tudo o que seja da autoria de Tim Burton

9. Apelos ou agradecimentos que queiras deixar:
Antes de mais, um agradecimento a todos os que, de uma forma ou de outra, me têm ajudado a conceber a saga Apocalipse. Um agradecimento a todos os leitores, por me permitirem que eu continue a partilhar as minhas histórias com eles. Por fim, um agradecimento especial à Andreia Ferreira, por ter demonstrado interesse no meu trabalho e me ter dado a oportunidade de realizar esta entrevista.

10. O que achas do blog d311nh4?
Até há bem pouco tempo, não era grande adepto de blogues. Contudo,a minha opinião mudou radicalmente depois de conhecer o d311nh4 e outros blogues do mesmo género. É óptimo visitar uma livraria e ter já algum feedback de um determinado livro, ou ficar a conhecer algum livro ou autor que desconhecíamos e que nos pode agradar. Por mais que uma vez, já segui as sugestões feitas neste espaço e, até ao momento, nunca me desiludiram! Apenas posso desejar a continuação de um bom trabalho!




Domingo, 3 de Junho de 2012

"Perraultimato" - OPINIÃO

SINOPSE: As estórias são conhecidas de todos: sapatinhos de cristal, maçãs envenenadas, príncipes encantados e lobos maus; e todos sabem que, no fim, os que mereciam viveram felizes para sempre.
Então porque é que isso não aconteceu? Porque é que o mundo parece virado do avesso? E porque é que toda a gente age como se nada fosse? São essas as perguntas que atormentam Borralheiro, um dos poucos que sentem que algo de profundamente errado se passou, e o único que se predispõe a ir em busca de respostas. Respostas essas que lhe chegam às mãos na forma dos versos crípticos do misterioso Perraultimato, que o lança numa demanda em busca da verdadeira essência das estórias.
Acompanhado por quatro outras figuras do imaginário popular europeu —a imprevisível Capuchinho, o enigmático Aprendiz, a atormentada Vasilisa e o perigoso Burra — Borralheiro embarca numa inesquecível aventura neste primeiro volume da distopia folclórica Felizes Viveram Uma Vez.


OPINIÃO: Há histórias que parecem existir desde sempre. Quem nunca ouviu falar da Capuchinho Vermelho, de reis que fazem promessas daquilo que desconhecem ter, de heróis que derrotam o mal e, no fim, vivem felizes para sempre...
Estas estórias nem sempre foram assim. Na sua criação, elas serviam para passar mensagens de moral, através de finais macabros e, revivendo o espírito dos célebres irmãos Grimm (entre outros antigos prosadores de contos), este escritor português agarra nas personagens, que todos conhecemos, e dá-lhes um toque perverso.


Algo aconteceu nas histórias e nada está a terminar bem. Desde o início (onde há a introdução da história das personagens), vemos os finais adulterados. Onde está o "felizes para sempre"? Como é que a cantoria de felicidade, após a tormenta, se transformou em banhos de sangue e confianças traídas?
É neste panorama que Filipe Faria insere uma irreverente e sanguinária capuchinho; um  corajoso Borralheiro, que acredita que "qualquer coisa" não está a bater certo; um Aprendiz de mago, que vive rodeado de espíritos que invoca e controla; um Mama-na-burra, desacreditado na bondade do sexo feminino e, por fim, uma Vassilisa, que espalha a morte por onde passa.


Foi o primeiro livro que li de "recontos" e posso dizer que fiquei rendida à temática. Usar um universo, que todos conhecemos, e transformá-lo em algo cruel e, sobretudo, moldável, é simplesmente delicioso.


Quanto à escrita de Filipe, o autor escreve com confiança e denota-se um uso elevado do léxico. As frases são tipicamente portuguesas, grandes e carregadas de vírgulas; o que neste livro assenta bastante bem, tendo em conta a natureza da narrativa. É de leitura compulsiva, mas termina com aquela sensação de "soube a pouco", uma vez que é o primeiro de mais.


Recomendo vivamente esta obra portuguesa, que tão bem se evidencia entre os demais, que exploram o mundo das lendas e dos contos tradicionais, trazendo-os de volta à vida.

Sábado, 2 de Junho de 2012

Leitura conjunta em português - JUNHO



A minha proposta para este mês é:

Prémio LeYa 2011
Tudo começa com um homem saindo de casa, armado, numa madrugada fria. Mas do que o move só saberemos quase no fim, por uma carta escrita de outro continente. Ou talvez nem aí. Parece, afinal, mais importante a história do doutor Augusto Mendes, o médico que o tratou quarenta anos antes, quando lho levaram ao consultório muito ferido. Ou do seu filho António, que fez duas comissões em África e conheceu a madrinha de guerra numa livraria. Ou mesmo do neto, Duarte, que um dia andou de bicicleta todo nu.
Através de episódios aparentemente autónomos - e tendo como ponto de partida a Revolução de 1974 -, este romance constrói a história de uma família marcada pelos longos anos de ditadura, pela repressão política, pela guerra colonial.
Duarte, cuja infância se desenrola já sob os auspícios de Abril, cresce envolto nessas memórias alheias - muitas vezes traumáticas, muitas vezes obscuras - que formam uma espécie de trama onde um qualquer segredo se esconde. Dotado de enorme talento, pianista precoce e prodigioso, afigura-se como o elemento capaz de suscitar todas as esperanças. Mas terá a sua arte essa capacidade redentora, ou revelar-se-á, ela própria, lugar propício a novos e inesperados conflitos?

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