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terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Célia Correia Loureiro - A filha de Portugal [Entrevista]

Célia Correia Loureiro – A filha de Portugal


Após ter explorado o Alzheimer e a violência doméstica em “Demência”, entrado na pele de quem sente o luto e descobre os segredos de um passado inimaginável em “O funeral da nossa mãe”, estreia-se no seu primeiro histórico, que promete render muitos leitores ao género.
Conversei com a autora e fiquei a saber um pouco mais sobre o seu método de escrita, as suas ambições e o caminho que percorreu até à elaboração d´”A filha do barão”.



Olá, Célia.
Em primeiro lugar, quero agradecer a disponibilidade para responderes a estas perguntas para o meu humilde blogue.


 
Já te conhecemos pelos teus primeiros livros: “Demência” e “O Funeral da nossa mãe”. Ambos apelam ao coração e à emotividade. Porquê o drama? Porque é que optaste por este género? De que forma é que ele se relaciona contigo?

É através do “drama” que se vivem emoções. Momentos mais emotivos que racionais são, tantas vezes, aqueles que decidem o rumo a tomar. Situações difíceis, desafios a superar, é isso que gosto de incluir nas minhas obras.

Estes livros foram publicados pela Alfarroba.
Esta editora, e outras, são chamadas de “pequenas editoras” e são alvo de críticas esporádicas, quanto ao investimento que dedicam aos autores. Como descreverias a tua experiência com a Alfarroba?

Foi uma porta aberta que me trouxe até aqui. Ajudaram-me a crescer e a melhorar e permitiram-me chegar a muitos leitores. Estou-lhes grata por isso.

Na verdade, diz-se muito que as grandes editoras ficam reticentes em apostar nos autores portugueses, sobretudo se forem jovens. Acreditas nesta afirmação? Sentiste isso, quando terminaste o “Demência”, o teu primeiro livro?

Nem por isso, porque não cheguei a mostrar o Demência a ninguém que não à Alfarroba. Felizmente que as editoras estão a começar a apostar em autores menos conhecidos, mesmo aquelas que podem conceder-lhes grande visibilidade, como é o caso da Marcador.

Agora, sabemos que estás com a “Marcador”, chancela da “Editorial Presença”. O que achas que mudou? Achas que houve algum fator que contribuiu para que, desta vez, decidissem investir em ti (partindo do princípio que já anteriormente terias remetido os manuscritos à apreciação deles), ou foi apenas a qualidade do teu novo livro, que subiu em relação aos outros?

“A Filha do Barão” foi o primeiro manuscrito que lhes enviei e foi tudo muito instantâneo. Reconheceram o seu valor de imediato (marcámos a reunião poucas horas depois do envio do manuscrito). Não sei o que teriam a dizer dos outros, mas está muito esforço depositado neste e isto nota-se de imediato.

Do drama contemporâneo dos primeiros livros, passaste ao histórico. Que impasses, dificuldades, te foram impostas na elaboração deste livro?

A matéria-prima deste novo livro não foi o meu imaginário, ou não somente. Foi, sobretudo, a pesquisa histórica. Tive de rever este capítulo da minha formação em Humanidades/Turismo, e passei muitas horas na biblioteca e a ler A Gazeta de Lisboa a informar-me sobre a época. Não foi (nem um bocadinho) fácil e estou muito orgulhosa de ter terminado o livro em tempo tão útil (sete meses) após reunir praticamente toda a pesquisa que utilizei.

Conhecendo as tuas obras anteriores e, assim, a tua veia romântica, poderemos contar com ela n’“A Filha do barão”?

Podem contar com um grande amor, sim. Um amor construído, balançado pela dificuldade dos tempos e por diversos obstáculos. Pode considerar-se uma boa história de amor, a meu ver mais empolgante que a dos meus anteriores romances, porque esses livros eram sobre outras coisas. Este é sobre ser-se fiel a um compromisso e conseguir ser feliz num amor outrora indesejado.

Pelas tuas obras, vê-se que te inclinas muito (e bem!) para Portugal. Consideras importante que se fale do nosso país na literatura portuguesa da atualidade?

Sem dúvida. Se podemos aprender através do entretenimento, porque não conhecermos todos um pouco melhor o nosso passado? Temos uma história única, plena de momentos especiais. Devemos valorizá-la sempre que podemos.

Escrever é-te prazeroso, nota-se pela facilidade com que brincas com as palavras nas tuas narrativas. Qual é a parte que mais prazer te dá, na elaboração de uma estória? Partindo da pesquisa, da construção da personalidade das tuas personagens, da criação do ambiente que as rodeia.

Há um momento a partir do qual me fundo com a personagem. A partir daí deixo de observá-las – passo a ser elas. Quer as ame, quer as odeie, quer sejam o herói ou o vilão. Já chorei muito a escrever trechos do livro, porque me identificava a fundo com o sentimento que queria passar. Já tive dificuldade em perceber onde acabava a minha experiência de vida e começava a da personagem, por muito diferente que fosse. Gosto de sentir que vivo várias vidas.

Qual é a tua personagem preferida? Porquê?

Até hoje? A Luísa d”O Funeral da Nossa Mãe”. Porque é áspera, ríspida, fria. Ou assim eu pretendia fazê-la, fútil, cínica e fugidia. E acabou por me conquistar, acabou por me arrebatar quando mostrou as suas camadas interiores. Surpreendeu-me, transcendeu-me. Foi um prazer dançar ao seu ritmo.

Diz-se (e eu, pessoalmente, concordo) que para se escrever bem tem de se ler muito. Lês muito? O que gostas mais de ler? Algum autor que queiras salientar, que te inspire?

Leio bastante, embora ultimamente não tenho tanto tempo quanto gostaria para o fazer. Gosto bastante de Anita Shreve e o Sommerset Maugham, bem como de Margaret Mitchel, embora apenas tenha publicado  E Tudo o Vento Levou. Gosto de ler sobre ser-se humano. Sobre cometer-se erros. Sobre amar e enfrentar-se desafios.

Os clássicos. Os grandes clássicos! Fazem parte do teu plano de leitura? Algum mestre que te tenha marcado?

Já referi o E Tudo o Vento Levou, mas neste momento estou a tentar terminar O Conde de Monte Cristo, mas não é fácil, são muitas páginas e muito pocuo tempo! Adorei o primeiro que mencionei e estou a adorar o segundo, mas é O Monte dos Vendavais o livro que mais me abalou (com a Insustentável Leveza do Ser muito próximo do mesmo efeito).

Escreveste dramas, passaste ao histórico… O que me dirias se te pedisse para escrever um erótico, tendo em conta o mediatismo em que se encontram?

Cada livro é um desafio e nunca diria que não. A ver vamos onde as letras me levam.

E a fantasia?

Tenho um projecto  a crescer em mim… a ver vamos. A Grécia Antiga, tem sido um sonho recorrente, quem sabe poderá ser esse o caminho.

Terror?

Também já tentei, mas era mais suspense do que terror.  Mas mais uma vez digo, o futuro nunca se sabe, uto é possível.

O que podemos esperar de ti para o futuro? É esse futuro próximo… muito próximo?

Quero escrever mais uns quantos romances históricos que foquem momentos importantes do país. Alguns estão quase terminados, outros “pesquisados”, outros a meio gás. Quero melhorar a qualidade literária d Os Pássaros, que terminei em Dezembro de 2013. Quero reescrever o Demência e tentar conseguir-lhe a visibilidade que julgo que merece. Vou continuar a trabalhar nesta área enquanto me for prazerosa.

Obrigada, Célia. É um prazer ver uma escritora tão jovem a ter o seu devido destaque.
É bom quando o talento é reconhecido e espero continuar a ver-te ascender até ao bestseller e publicações internacionais.

Um beijinho,
Andreia Ferreira








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