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quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

Jesus bebia cerveja - Afonso Cruz

SINOPSE: “Parece que a morte vem sempre à tona da água.”, frases como estas marcam o tom do novo e esperado romance de Afonso Cruz.
Com a originalidade que o caracteriza, Afonso Cruz, constroí uma narrativa de personagens singulares e marcantes, numa terra quase imaginária, que é o Alentejo.

Uma pequena aldeia alentejana transforma-se em Jerusalém graças ao amor de uma rapariga pela sua avó, cujo maior desejo é visitar a Terra Santa. Um professor paralelo a si mesmo, uma inglesa que dorme dentro de uma baleia, uma rapariga que lê westerns e crê que a sua mãe foi substituída pela própria Virgem Maria, são algumas das personagens que compõem uma histórica comovente e irónica sobre a capacidade de transformação do ser humano e sobre as coisas fundamentais da vida, como o amor, o sacrifício e a cerveja.
Este livro inclui a oferta do mini-western A morte não ouve o pianista.

Afonso Cruz nasceu em 1971 na Figueira da Foz e, para além, de escritor, é também ilustrador, cineasta e músico da banda The Soaked Lamb. Frequentou a António Arroio, Belas Artes de Lisboa, Instituto Superior de Artes Plásticas da Madeira. É detentor de vários prémios e distinções nas várias áreas que trabalha, nomeadamente, recebeu com um volume anterior da Enciclopédia da Estória Universal o Grande Prémio de Conto Camilo Castelo Branco/APE."


OPINIÃO: Este livro é absolutamente cruel, sem qualquer tipo de inibição nos termos, no conteúdo, no desenvolvimento da história, no destino das personagens. De facto, Afonso Cruz é extremamente corajoso ao descrever esta aldeia da forma crua como o faz, com os termos escatológicos que utiliza e com a sagacidade com que empreende certas passagens.

O enredo centra-se em Rosa, uma jovem em crescimento físico e psicológico, que vive a cuidar da avó, cuja senilidade leva-a a urinar pelas pernas, a babar-se. 
Percebem agora o que quero dizer?

Bem, Rosa é descrita como bela, mas selvagem. A beleza de Rosa não está dentro dos parâmetros com que estamos habituados. Rosa tem o buço um tanto saliente, pelos nas pernas e, curiosamente, estes fatores são uma das suas mais valias, além do rabo empinado que faz a delicia aos olhos do Sr. Padre Teves, que tem fetiche por chicotadas nas nádegas. Não só o padre, parece que todos os homens deste livro são levados pela tentação sexual, qual animal no cio.

Isto foi só uma luz do que espera aos leitores deste fantástico livro. Fantástico? Sim, absolutamente bem escrito, com frases lindíssimas. No auge encontram-se as filosofias que, de maneira simplista, nos apresenta e nos faz cair em reflexões, alterando até a nossa forma de pensar em relação a alguns assuntos. 
São usadas muitas metáforas deliciosas e originais. Os diálogos encaixam dentro das personagens, sem que nenhuma destas se torne menos interessante, independentemente da personalidade que tenha; o que lhes sai da boca soa a genuíno.

O único ponto que me desagradou foi algo que senti ao longo do livro: o peso deprimente da narrativa. Obviamente que cai no meu gosto pessoal, mas não consegui deixar de me sentir entristecida com tanto pessimismo e melancolia. 
O final também me soou estranho, digamos, repentino. Foi como se assistisse ao nascimento de uma nova personagem dentro de uma que seguimos desde o início. Uma atitude que não relacionava com ela e me custou a perceber de onde veio tal ideia.

Para terminar, tenho de comentar a capa e o título, que odiei ambos à primeira vista.
Este livro surgiu como a proposta de leitura do mês de Janeiro do Clube Bertrand de Braga, senão, garanto-vos, nunca teria pegado nele.
A capa é de extremo mau gosto e o título também me soava muito mal, antes de ler o livro e perceber de onde veio.

Em suma, foi uma leitura densa, não a nível de escrita, mas de conteúdo. Sinto que tirei daqui muitos pontos pertinentes e outros que prefiro ignorar. É um livro deveras intrigante e que mexe com o espírito.

4 comentários:

  1. Não entendo porque é que a imagem é de mau gosto. O.o

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  2. Porque eu não gosto...
    Eu não acho esta capa nada de nada apelativa. 0, mesmo...

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  3. Bem eu falo por mim, prefiro ter uma imagem de Jesus com um copo de cerveja na mão, do que quando entro na igreja e vejo as estátuas cheias de sangue :| Se bem que pronto, o sr. bebia vinho, não cerveja ;)

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  4. Ah... pelos vistos, não.
    Segundo o Afonso Cruz, na época bebia-se cerveja e não vinho. O vinho era a bebida dos romanos - está no livro.
    Se a capa fosse uma imagem de Cristo na cruz, não ia gostar também.

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