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quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

Alma Rebelde - Carla M.Soares

SINOPSE: No calor das febres que incendeiam a Lisboa do século XIX, Joana, uma burguesa jovem e demasiado inteligente para o seu próprio bem, vê o destino traçado num trato comercial entre o pai e o patriarca de uma família nobre e sem meios.


Contrariada, Joana percorre os quilómetros até à nova casa, preparando-se para um futuro de obediências e nenhuma esperança.

Mas Santiago, o noivo, é em tudo diferente do que esperava. Pouco convencional, vivido e, acima de tudo, livre, depressa desarma Joana, com promessas de igualdade, respeito e até amor.

Numa atmosfera de sedução incontida e de aventuras desenham-se os alicerces de um amor imprevisto... Mas será Joana capaz de confiar neste companheiro inesperado e entregar-se à liberdade com que sempre sonhou? Ou esconderá o encanto de Santiago um perigo ainda maior?

OPINIÃO: Recuemos ao século XIX, a uma Lisboa dominada pelas trevas da febre, pela decadência de um reino que tinha tudo para ser vigoroso e próspero.
No meio de tanto desastre, há uma jovem que vê o mundo em tons acinzentados, quando confrontada com um casamento arranjado. Note-se que era uma realidade da época. As "moças" cresciam com a consciência de que, mais cedo ou mais tarde, o seu destino seria entregue a um marido, pela mão do pai.

Joana é uma protagonista um tanto irritante. É mimada e dada a uma rebeldia muito moderada. É uma mulher feita (já ultrapassa a casa dos vinte), mas reage como uma criança face ao quotidiano que a rodeia. Influenciada pelas histórias da prima Ester, receia ser entregue a um mundo semelhante. Logo, envereda por um estado de espírito derrotista, que lhe traz pensamentos suicidas.

"Joaninha" é dona de uma beleza estonteante, singela, bem-formada e, claro, a vida corre-lhe às mil perfeições. O tão indesejado marido é, nada mais, nada menos, do que o belo, atraente, simpático e "alma rebelde" Santiago.

Ora, pegando em Santiago, este entra no enredo carregado de boas expetativas. Envolto em mistério, dono de uma personalidade cativante, arrasta consigo a revolução dos ideais, partilhando uma amizade influente com o Rei de Portugal. Porém, depressa Santiago perde o encanto. Rendido, de uma forma demasiado imediata, aos encantos de Joana. Santiago torna-se uma personagem movida por uma moral de herói, derretido pela futura mulher.

O que resta? Resta uma história um pouco redundante, em que surge apenas um sinal de discórdia entre o casal, resolvido demasiado depressa, sem dar tempo de temermos pelo amor dos protagonistas. Enfim, falta  alma nas ações, na construção dos personagens. 

Contudo, há uma excepção. Ester, prima de Joana, traz consigo uma história (uma história com enredo, com sofrimento, com dor, com reviravoltas), que merecia outro destaque, por ser muito mais interessante do que a vida perfeita de Joana. As cartas de Ester foram, sem dúvida, o ponto alto da história, juntamente com a informação histórica do ambiente que a envolve.

A relação de Santiago com o pai é de esperar. A mãe, porventura, foi uma agradável surpresa.
No final, surge uma incerteza que traz alguma curiosidade quanto ao desfecho.

Quanto à escrita, oscilei um pouco com o narrador, que tanto se mostrava presente, agarrado às sensações das personagens, como se mostrava totalmente ausente e limitava-se a narrar. Quando se sentia a ligação deste com uma personagem, rapidamente se encostava a outra, tudo dentro da mesma página.

Não gostei das interjeições constantes. Há uma tendência de atribuir estes "ah" e "oh" às personagens de época - influência, talvez, dos clássicos - que lhes tira alguma seriedade.
Para terminar, a escrita não é linear. Tanto nos são entregues frases longas, com poucas pausas, como frases demasiado curtas, com apenas uma palavra. 

Não desgostei de todo, mas admito ter ficado desiludida, pois as expetativas estavam muitíssimo elevadas. 

Faltou-lhe ousadia.

Aconselho a todos que gostam de histórias simples, sem grandes reviravoltas. Pode ser lido a partir de uma faixa etária jovem e deverá agradar mais ao género feminino. 

Note-se que não estou dentro do meu estilo de eleição e que respeito muitíssimo a autora como pessoa. No entanto, aqui, no seu trabalho como autora, acho que falta limar umas quantas arestas, para que o enredo seja interessante e não apenas uma história de amor à moda antiga.

Ainda saliento que aqui recai a minha opinião pessoal, como não poderia deixar de ser, e que conheço muita gente que adoraria ler este livro.

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