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quinta-feira, 29 de novembro de 2012

A ilha de Caribou - David Vann

SINOPSE: Nas margens de um lago glacial no coração da península de Kenai, no Alasca, o casamento de Irene e Gary está à deriva. Para cumprirem um velho sonho de Gary, decidem construir uma cabana numa ilha deserta. Irene suspeita que o plano de Gary é o primeiro passo para a abandonar e começa a sofrer de dores de cabeça inexplicáveis, sendo atormentada por recordações de um trágico passado familiar. Quando o inverno chega de forma prematura e violenta, o casal vê-se submetido a uma pressão inesperada, terrível. Rhoda, a filha mais velha, receia que alguma coisa possa acontecer aos pais e tenta ajudá-los, mas também ela está a atravessar uma crise pessoal.

OPINIÃO: A história deste livro incide sobre um sítio, uma família que lá habita e um casal que visita. É como abrir vários diários, onde os intervenientes misturam as suas histórias, onde lemos perspetivas, onde tentamos adivinhar um final, um encontro de ideias, de opiniões. Todos pensam, todos sofrem e ninguém fala. Há aqui um silêncio esmagador entre os personagens que nos faz pensar em como o poder da palavra se torna inútil, depois de tantas especulações, ressentimentos mantidos dentro do espírito.

Irene, casada com Gary, começa a sofrer de uma densa depressão. Os primeiros sintomas provêm da fixação de que Gary a irá deixar. Logo, esta dor se transforma em fortes enxaquecas e ataques de pânico contidos até ao limite. Deixando-se levar por uma sobriedade que não possui, espera-lhe um final esmagador, que vai trazer ao presente muitas memórias do passado. 

Gary, por sua vez, sofre da chamada "idade do armário". É dentro da casa dos 50 que Gary descobre que é infeliz, que nunca viveu aquilo que queria ter vivido e que a insatisfação toma conta da sua personalidade. Domado de um egoísmo enorme, decide construir uma cabana numa ilha isolada, arrastando a mulher que já não sabe se ama, Irene, atrás de si. As passagens de Gary entram numa redundância enorme, onde todo o processo de construção é pormenorizadamente descrito.

Rhoda, a filha de ambos, encontra-se numa união de facto com Jim. Os seus dias são rotineiros e vive do sonho de ser pedida em casamento. A semelhança desta com a mãe é notória, ao ponto de se prever um ciclo vicioso, um certo fatalismo implícito no enredo que arrasta ambas as mulheres na vida.

Jim é, porventura, o personagem mais detestável da história. Mais velho do que Rhoda e possuidor de uma pequena fortuna, fruto do seu emprego como dentista, Jim engana, mente e cria na mente mundos promíscuos, onde o amor, a família, não têm lugar. Deduz-se que passa por uma fase,... ou não.

Monique - a mimada e prepotente Monique - vem trazer ao de cima os podres dos homens. É uma jovem arrogante, dotada de uma beleza e de um corpo estonteante, entregue a uma viagem onde tudo é válido. 
É muito difícil perceber quem é Monique e como é que ela pensa. Será, juntamente com o irmão de Rhoda, uma das personagens mais enigmáticas e, certamente, os grandes sobreviventes deste mundo tão soturno pintado pelo autor.

Não há reviravoltas, não há emoções fortes (tirando, talvez, o final), não há grandes respostas; há um leque de suposições que nascem pelas ações que são tomadas, há uma forte semelhança destes seres com os humanos reais. Porém, denota-se uma carga negativa, triste, sonolenta e repetitiva na vidas destas pessoas que traz ao quotidiano uma cor acinzentada, que ele não tem - pelo menos para mim.

A escrita parece entrar em conformidade com o ritmo da história, sendo ela descritiva, lenta e atenta a pormenores menos relevantes.

Não posso dizer que não tenha gostado, mas não é, de todo, um género de leitura que me agarre. No fundo, não há uma história, um enredo, e sim um desenrolar de pequenos acontecimentos que se movimentam rumo a uma catástrofe.

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