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quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011

Os mágicos - Lev Grossman


SINOPSE: Quentin Coldwater, um aluno do liceu intelectualmente precoce, foge ao tédio da vida diária lendo e relendo uma série de livros de fantasia passados num país encantado chamado Fillory. Como toda a gente, o jovem parte do princípio de que a magia não é real, até que se vê de repente admitido num colégio de magia muito secreto e muito exclusivo, a norte de Nova Iorque. Ao atravessar uma viela de Brooklyn, no Inverno, Quentin vê-se, em pleno fim de Verão, nos terrenos do idílico Colégio de Pedagogia Mágica de Brakebills e depois de passar por um difícil exame de admissão, inicia um complicado e rigoroso curso de feitiçaria moderna, ao mesmo tempo que descobre as alegrias da vida escolar: amizade, amor, sexo e bebida. Porém, falta-lhe qualquer coisa. Ao mesmo tempo que aprende a lançar feitiços, a transformar-se em animal e a adquirir poderes com que nunca sonhara, Quentin descobre que a magia não lhe dá a felicidade e a aventura com que sonhava. 

Um livro para os leitores que cresceram a devorar fantasia e que sentem falta de livros como Harry Potter. Ou para os que adoraram o mundo mágico de Nárnia. Os Mágicos é uma sábia fusão dos dois romances mais famosos das últimas décadas.


OPINIÃO: Ainda estou a recuperar o folego depois de ler os últimos capítulos deste livro.
Após uma longa parte, confusa e demasiado rápida, que descreve seis anos da vida de Quentin(nomeadamente o seu percurso na escola e primeiros momentos de "adulto") a narrativa cessa num período em que o jovem se sente completamente à deriva num mundo carregado de momentos cinzentos.
A partir daqui é sempre a virar páginas e o final é surpreendente não deixando lapsos que pareciam existir durante a primeira leitura.
Não quero dar spoilers a futuros leitores mas aviso desde já que vos espera neste livro uma leitura no mínimo estranha porque varia de uma forma fantástica levando o leitor a sentir que se encontra noutro livro. 
Tenho de dar os meus parabéns ao autor pela criação da personagem Quentin. O jovem é um retrato fidedigno da mente humana insatisfeita. Ele procura a felicidade e a auto-realização e sempre que a encontra, a sensação de perda é maior. Isto porque é mais fácil sentirmo-nos preenchidos pelos sonhos do que pela realização deles. Complicado? Bem, não é, porque à partida quando nos deslocamos com um objectivo em mente, se ele for alcançado, o que sobra?
Para além de Quentin, há outras personagens que se destacam por terem persoanlidades tão distintas e vincadas. Faltou foi "sal" ao "vilão", na minha opinião.
O ponto negativo que não posso mesmo deixar de mencionar é a linguagem obscena por vezes utilizada. Não que eu tenha algo contra certo tipo de palavras que existem, de facto, na vida real, logo devem ser passadas para o papel quando este lho pede. No entanto, numa história com este tema sinto que corta a leitura.
Um terceiro aspecto que não é uma crítica negativa, nem positiva, mas sim um desabafo, tem haver com a comparação escusada que George R.R.Martin faz deste livro com o Harry Potter, menosprezando o segundo.
Há de facto situações que nos levam a pensar no mundo de J. K. Rowling mas isso é natural porque ambos têm o mesmo tema. O próprio Lev faz menção a Hermione e a Hogwarts o que torna impossível desmembrar completamente as histórias. Contudo, a criação de J. K. Rowling é dirigido a todas as idades e o de Lev não. Não há termo de comparação entre os dois seja pelas personagens, seja pelo rumo que as histórias seguem. Se há algo que salta à vista é a semalhança de Fillory com a Nárnia, e aí entramos noutro ponto da interliteratura presente em "Os mágicos". É positivo misturar temas e inspirar-se em autores já consagrados desde que não atinja o estado de "cópia", e isso NÃO acontece neste livro. É independente e dotado de uma imaginação tremenda.

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