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sexta-feira, 4 de outubro de 2013

O intruso - Carina Rosa

SINOPSE: Sara é uma mulher deprimida e atormentada por um passado trágico. A casa que outrora pensara ser um refúgio contra as lembranças de uma vida que desejava esquecer, é agora um antro de sombras que a perseguem.

O reencontro com Martim, um rosto que lhe é de alguma forma familiar, de um passado longínquo, provoca-lhe uma avalanche de sentimentos que poderão mudar a sua vida para sempre. Mas o passado nunca poderá ser apagado e Sara vê-se obrigada a tomar decisões que podem fazer a derradeira diferença ente a vida e a morte.

Poderá Martim salvá-la de uma realidade que foge ao seu alcance? Ou poderá afundá-la ainda mais naquele poço sem fundo, em que não há saída possível, senão a morte?

OPINIÃO: Tenho ouvido falar muito dos termos "Show" and "Tell" e nunca tinha percebido muito bem o que isso significava. A verdade é que, durante a leitura deste livro, estas palavrinhas saltaram-me à ideia muitas vezes, tal era a predominância do "tell" e o pouco "show".

Ao longo do livro vamos conhecendo a história de Sara... em demasia. Em vez de acompanharmos Sara no enredo do livro, estamos a ser constantemente bombardeados de informação sobre os seus gostos, os seu passado, os seus receios... E tudo isto nos é dito e não mostrado. Foi esta a grande falha deste livro, que acaba por torná-lo um pouco aborrecido. O próprio mistério base da história fica esquecido sob tanta, digamos, "palha".
Tenho-me apercebido de que isto é uma tendência dos novos autores - eu inclusive, que abusei disto no início do meu primeiro volume - que tem de ser controlada, a fim de não maçar o leitor.

Gosto imenso da escrita da autora. Ela escreve de forma fluída, cuidadosa com as palavras e com um tom intimista que facilmente cativa. Porém, falha pela tendência em divagar. Falta alguma objetividade, um fio condutor que obrigue à narração do momento, sem buscas às memórias, ao passado, ao perfil da personagem.

A ideia é boa, interessante e que daria muito pano para mangas, se o momento fosse aproveitado. O medo poderia ter sido mais explorado. A temática do espiritismo, que é tão pouco usada pelos autores, sobretudo pelos nacionais, podia ter mais conteúdo.

Apesar de ter apontado estas particularidades, que eu vejo como falhas, reconheço na Carina Rosa talento para a escrita. Nota-se uma naturalidade na narrativa própria de quem sente prazer em escrever. Este é o primeiro romance da autora e, se não estou em erro, já há um segundo livro a caminho. Estou certa de que irá superar este seu primeiro trabalho.

1 comentário:

  1. Obrigada pela opinião, Andreia, e principalmente pelas críticas construtivas. É verdade, a diferença entre show/tell aprendi-a através da Ana Ferreira, já depois da saída deste primeiro romance, e confesso que para mim, foi importantíssimo para melhorar a minha escrita. Fico satisfeita por ter sido uma leitura agradável e espero surpreender no próximo :D Beijinho*

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