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quarta-feira, 25 de abril de 2012

Paranormalidade - Kiersten White

SINOPSE: Por mais estranho que seja trabalhar para a Agência Internacional de Contenção Paranormal, Evie sempre pensou ser uma rapariga normal. Sim, a sua melhor amiga é uma sereia, o seu ex-namorado é um homem--fada, está a apaixonar-se por um rapaz que muda de forma e é a única pessoa que consegue ver através dos disfarces dos paranormais, mas ainda assim... Normal. Só que agora os paranormais andam a morrer e os sonhos de Evie estão repletos de vozes inquietantes e profecias misteriosas. Depressa se apercebe que poderá existir uma ligação entre as suas capacidades e a súbita vaga de mortes. E não apenas isso, pois poderá muito bem encontrar-se também no centro de uma profecia sinistra das fadas, que promete destruição para todas as criaturas paranormais. Lá se vai a normalidade……

OPINIÃO: Evie cresceu sob a tutela de Raquel, que por sua vez coordena a Agência Internacional de Contenção Paranormal. 
A AICP tem como objetivo controlar os seres sobrenaturais e prevenir que eles se comportem em sociedade. 
Evie tem a capacidade de ver através dos disfarces, o que faz dela uma excelente agente e de grande valor para a Agência.
Tudo muda quando surge um ser que molda a aparência à sua vontade, adquirindo variados rostos, entre eles o do própria Evie.
Empresta - o fantástico nome da personagem - traz consigo inquietações que visam revolucionar o sentido de controlo que a Agência pensa ter sobre os seres sobrenaturais. 
Achei interessante a forma como as fadas e a Agência se relacionam e a arrogância da última face à astúcia da espécie.
No entanto, o enredo contra-se na descoberta de quem é que anda a matar os seres sobrenaturais e porquê.

Quanto à tecnicidade da obra, a autora opta por uma linguagem corrente adequada à idade da protagonista. A forma como esta se desenvolve também vai de encontro a este aspeto.
Evie é uma adolescente que aspira uma vida normal, uma existência de namoros, compras e trivialidades como ter um cacifo na escola. 
A convivência com as fadas, uma em particular, ainda mais a incentiva a querer abandonar o mundo da Agência e a enveredar pela normalidade. O problema é que Evie pode vir a descobrir que não é normal e que o seu dom pode levar a algo mais obscuro, mortal.
"Paranormalidade" é em geral uma leitura rápida e que serve para entreter. Não está carregada de contextos complexos e juntamente com a escrita simples proporciona um momento calmo e relaxante.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

Dança com o diabo - Sherrilyn Kenyon

SINOPSE: Zarek é o mais perigoso de todos os Predadores da Noite. Exilado no Alasca durante séculos, desprezado pela deusa que o criou e temido pela sua própria espécie, foi condenado à morte por Ártemis na sua última missão. A sua única hipótese de salvação vem do líder dos Predadores da Noite, Acheron, que convoca a justiça da ninfa Astrid; mas, em toda a história do mundo, Astrid nunca considerou ninguém inocente... Dizem que mesmo o homem mais amaldiçoado pode ser perdoado, mas conseguirá Zarek convencer Astrid de que, por trás de uma besta feroz, se esconde um ser humano que deseja amar e ser amado?

OPINIÃO: Comecei a ler esta coleção depois de me terem oferecido o "Amante de sonho" e nunca pensei que acabasse por ser arrebatada pelo mundo de Kenyon desta forma. 
É absolutamente soberbo, repleto de uma sensualidade, carisma e genialidade tremenda.
Depois do doce Julian, o irreverente Kyrian e o solitário Talon surge Zarek. 
Zarek é diferente de todos os predadores da noite. A sua fama já começa a ser espalhada no livro "O Prazer da noite" e confirmada no "Abraço da noite", mas é na "Dança com o diabo" que o conhecemos a fundo.
Todos os predadores são assombrados por fantasmas do passado, mas nenhum deles tem memórias tão dolorosas como Zarek. É de tal modo emotivo que me senti mesmo apiedada ao ler as passagens do seu tempo pré-predador da noite.
Ninguém (a não ser o absoluto Acheron) conhece a dor de Zarek. Dor esta que pode facilmente explicar as suas atitudes. No entanto, há uma sequela na sua história de vida que é imperdoável. Uma aldeia a arder, cadáveres por todo o lado, vozes a condená-lo, a apelidá-lo de monstro, são imagens que assombram os sonhos de Zarek diariamente no seu exílio no Alasca, local para onde a deusa Artémis o enviou. 
Agora, depois de se ter visto num conflito que chamou a atenção dos humanos, Zarek está com a cabeça a prémio. 
Artémis quer a sua vida e Acheron o perdão. Caberá a Astrid, deusa da justiça, ditar o destino do predador. Para tal, ela usará um teste sem o seu conhecimento para conseguir ver se o frio e maquiavélico predador tem ou não um coração a bater sob toda aquela brutalidade.
O enredo desvia-se dos anteriores, apesar de também estar banhado de momentos de sensualidade extrema. Contudo, este leva-nos a conhecer mais do mundo dos deuses e sobretudo de Acheron, que cada vez se torna mais interessante.
Quanto à escrita, não há ponta que se aponte. Dentro do molde do género - fantasia com toque de erotismo - Kenyon é mestre na dança que dá às palavras envolvendo o leitor ao ritmo que ela deseja.
Impossível ficar indiferente a este mundo.

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Eterna Saudade - Lia Habel

SINOPSE: No ano 2195, em Nova Vitória (uma nação altamente tecnológica baseada nas maneiras, na moral e na moda da antiga era), uma jovem da alta sociedade, Nora Dearly, está mais interessada na história militar e nos conflitos políticos do país do que nos chás e bailes de debutantes. Contudo, após a morte dos pais, Nora fica à mercê da autoritária tia, uma mulher interesseira e esbanjadora que desperdiçou a fortuna familiar e agora pretende casar a sobrinha por dinheiro. Para Nora, nenhum destino poderia ser pior – até que sofre uma tentativa de sequestro por parte de um grupo de mortos-vivos. 
Isto é apenas o início. Arrancada do mundo civilizado, vê-se subitamente numa nova realidade que partilha com zombies devoradores, misteriosas tropas vestidas de preto e «O Lázaro», um vírus fatal que ressuscita os mortos tornando o mundo num inferno.

OPINIÃO: Uma agradabilíssima surpresa, sem dúvida!
Comecei a ler "Eterna saudade" com um pé atrás. Custava-me entender uma história de amor entre um ser humano e um zombie, mas parece que Lia Habel conseguiu transformar estas criaturas em estado de deterioração em homens desejáveis pelas suas qualidades interiores.
Relaciono esta estratégia de moldar o horrível ao belo com histórias clássicas como o corcunda de Notre Dame e a Bela e o Montro, cingindo-se mais à última uma vez que explora uma relação romântica.
Outra particularidade interessante é a junção dos espaços históricos. Aqui, temos um plano futurista dotado das melhores tecnologias e facilidades em junção com a época vitoriana com todo o seu esplendor e conceitos absolutistas camuflados pela beleza da etiqueta e da indumentária rica. 
No que toca à problemática da praga dos mortos vivos, a autora teve o cuidado de utilizar o termo Lázaro, o nome cientifico escolhido pelos grandes nomes da ficção científica que provém da passagem bíblica com o mesmo nome; aquele que ressuscitou.
A nível técnico, a escrita é fluída com alternâncias entre termos modernos com a linguagem requintada dos meados do século XIX. Sob este vocabulário que se cinge na direção da terceira pessoa, é hilariante ver os trechos de humor sarcástico e irónico, chegando a roçar o humor negro que funciona na perfeição tendo em conta o contexto.
Nora abraça a nova tendência de protagonistas femininas. O regresso é mulher independente. É corajosa, irreverente, rebelde e demasiado inteligente para o que se pede de uma mulher. Faz lembrar a clássica personagem da obra de Jane Austen "Orgulho e Preconceito", Elizabeth Bennet. O que não deve ser ao acaso.

Nora é raptada. Tirada assim do seu lar - que pouco se pode chamar de tal agora que o pai faleceu e a tia tenta subir rapidamente de estatuto através do único meio possível para o sexo feminino, o casamento - é levada para uma base habitada sobretudo por zombies. 
Coexistir com os mortos irá levá-la a ver o mundo para além das aparências e a conhecer alguns segredos sobre si mesma.
Bram fica logo encarregado de cuidar da adaptação de Nora e é neste contexto que ambos começam a descobrir sentimentos que pensavam não ter, ou que não deveriam sentir. Especialmente um pelo outro dadas as suas diferenças. Tipo, um respira e o outro não.
O panorama politico e bélico é a outra temática central do enredo. A adoção da era vitoriana não agradou a todos e assim surgiram os grupos rebeldes designados por punks. 
Bram era um punk e Nora uma vitoriana. Uma mistura de classes e ideais que remete instantaneamente a outros clássicos.
Em geral, "Eterna saudade" é um bom livro. Carregado de ação em sintonia com a comédia e o interesse tanto épico como futurista. Complementa um leque de tópicos para agradar a um número alargado de leitores.


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