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quarta-feira, 28 de março de 2012

Wicked lovely: Tatuagem - Melissa Marr



SINOPSE: Leslie, de dezassete anos, não sabe nada sobre fadas nem 

sobre as suas lutas obscuras pelo poder. Quando se sente 
atraída por uma tatuagem estranhamente bela, só sabe que tem de a ter, convencendo-se de ter encontrado um símbolo tangível das mudanças de que precisa desesperadamente na sua vida. A tatuagem traz mesmo mudanças - não do tipo que Leslie sonhou, mas mudanças sinistras e irresistíveis, que ligam Leslie a Irial, um rei das fadas tenebroso e temível que luta pela alma da sua corte. Aos poucos, Leslie é arrastada cada vez mais para dentro do mundo feérico, incapaz de resistir ao seu fascínio e de compreender os seus perigos... Melissa Marr dá seguimento aos seus contos de Fadas numa história sombria e arrebatadora de tentação e consequências, e de heroísmo quando menos se espera


OPINIÃO: Melissa Marr apresenta-nos nesta coleção o mundo das fadas em comunhão com o nosso. No primeiro volume conhecemos a corte de verão e de inverno. 
As fadas de Marr respeitam as lendas antigas em que as fadas não são criaturas dóceis e altruístas. As fadas estão ligadas à natureza e agem sobretudo por instinto e pela sua vontade. São criaturas egoístas que visam satisfazer os seus prazeres mais mundanos, que para os humanos podem se revelar fatais.
 A corte de verão é agora liderada por Keenan. Já no primeiro livro vemos como Keenan, rei da corte mais simpática, consegue ser cruel e desinteressado pelo bem estar humano. Em contrapartida, neste volume conhecemos o rei da corte das trevas, Irial, cuja natureza ultrapassa toda a imoralidade. Os seus atos mais naturais são inóspitos aos mortais e a sua fome é dominante. Irial não exerce o seu poder sobre os demais por puro capricho, mas sim porque é a sua natureza e não sabe viver de outra forma. Como soberano, o seu única dever é manter a sua corte feliz e alimentada. Os meios que exerce para tal, são irrelevantes.
No que toca ao mundo dos humanos, Aislinn é transformada na rainha da corte de verão no primeiro livro. Ela tem um trato com Keenan para reinar e continuar a viver a sua vida com as amigas e com Seth, o namorado. Este acordo acaba por destacar os humanos que rodeiam Aislinn e pô-los na mira dos interesses das fadas.
Leslie, amiga de Aislinn e protagonista deste volume, é uma jovem atormentada por memórias de uma noite em que foi estuprada por um grupo de traficantes. A ter de viver com o irmão que a ofereceu a estes homens e com um pai ausente, Leslie procura desesperadamente uma forma de se evadir. É aí que ela pensa em fazer uma tatuagem.
Neste ponto, devo dizer, que não entendo como é que uma tatuagem a fará sentir-se melhor, ou até mudar alguma coisa. Leslie afirma que precisa de algo que a complete, que lhe pertença.
No entanto, Irial precisa de se ligar a uma humana para conseguir alimentar-se das emoções humanas. Para tal, o seu desenho tem de ser escolhido para ser tatuado. Leslie escolhe o símbolo de Irial e é aí que a sua vida começa a mudar. As fadas começam a fazer parte de uma realidade que não é imediatamente explicada e não é de todo desejada.
A autora fez um ótimo trabalho no que toca à procura de termos que expliquem o processo pelo qual uma tatuagem  atravessa. Nota-se que houve uma investigação para dar credibilidade ao ofício.
As suas personagens são interessantes, apesar de se notar alguma similitude entre as protagonistas. Os valores são praticamente os mesmos, apenas diferem na história de vida, sendo a de Leslie mais complicada.
Para além destas fadas reais, conhecemos Niall e a sua natureza sexualmente viciante para os mortais. Niall é um ponto importante na história. Ao contrário dos soberanos que aceitam quem são e agem conforme as suas capacidades, Niall critica-os por estarem inclinados a fazerem Leslie sofrer. No entanto, é Niall que esquecendo o efeito, sedento e desesperado pelo seu toque, que deixa nos humanos em sofrimento, aproxima-se de Leslie porque a quer. Niall é hipócrita inconscientemente, pois enquanto atira blasfémias a Irial por perseguir a humana sabendo que a corte das trevas irá certamente matá-la, acaba ele mesmo por introduzi-la no mundo anestesiante da luxuria que caracteriza as fadas. Niall é uma personagem atormentada que luta contra uma crise existencial.
O amor é algo absolutamente complexo nestes livros. É uma mistura de possessão, luxuria, paixão e desejo. 
No que toca à escrita da autora, Melissa Marr escreve com segurança e fluidez. há sempre um ponto de imprevisibilidade nos livros que deixam o leitor agarrado até ao final. Há também uma procura de recuperar as personagens e situações anteriores para criar um laço, apesar de serem histórias quase independentes. Contudo, esta parece ter-se fechado, mas espero pelos próximos volumes para me certificar.
É dada imensa importância ao que as personagens sentem, mais do que o que elas fazem. 
O enredo está carregado de emoções que roçam muitas vezes o lado animalesco que há em cada um de nós. Assim são as fadas.

segunda-feira, 26 de março de 2012

Os jogos da fome - Suzanne Collins

SINOPSE: Num futuro pós-apocalíptico, surge das cinzas do que foi a América do Norte Panem, uma nova nação governada por um regime totalitário que a partir da megalópole, Capitol, governa os doze Distritos com mão de ferro. Todos os Distritos estão obrigados a enviar anualmente dois adolescentes para participar nos Jogos da Fome - um espectáculo sangrento de combates mortais cujo lema é «matar ou morrer». No final, apenas um destes jovens escapará com vida… Katniss Everdeen é uma adolescente de dezasseis anos que se oferece para substituir a irmã mais nova nos Jogos, um acto de extrema coragem… Conseguirá Katniss conservar a sua vida e a sua humanidade? Um enredo surpreendente e personagens inesquecíveis elevam este romance de estreia da trilogia Os Jogos da Fome às mais altas esferas da ficção científica.

OPINIÃO: "Os jogos da fome" é um livro que marca. 
Pela voz de Katniss, conhecemos o mundo de Panem, uma nação opressiva que controla o povo pelo medo.
A hipocrisia está assente n' "os jogos da fome" que servem para relembrar o povo do que acontece se se instalar uma guerra. Segundo o capitólio, estes tributos são corajosos sacrifícios, quando no fundo são apenas crianças - com idades que variam dos 12 aos 17 - cujo nome foi tirado no dia da ceifa não tendo agora forma de fintar a sorte.
Vinte e quatro tributos são enviados para uma arena até sobrar apenas um. Katniss impõe-se pela irmã como voluntária e juntamente com o filho do padeiro, Peeta, são enviados para uma floresta carregada de perigos e de fome de sobrevivência.
A ansiedade é constante e a imprevisibilidade um fator muito importante na leitura frenética que se sente ao longo das páginas.
Katniss é uma jovem forte e corajosa, pelo menos assim o tenta aparentar. Foi criada a engolir as suas emoções que mais a fragilizam para proteger a irmã Prim da vida triste e precária que têm no distrito 12. A fome é uma realidade muito pesada neste distrito. A habilidade da caça será o seu ponto forte durante o reality show.
Peeta é o filho do padeiro. É um jovem calmo, simpático e trabalhador. As suas habilidades são a camuflagem - que aprende a decorar bolos - e a força - de carregar sacos de farinha diariamente. Peeta é um rapaz de emoções fortes e transparente. O contraste com Katniss não poderia ser maior.
Haymitch é o bêbado mentor dos tributos do distrito 12. Ganhou os jogos da fome no passado e a sua personalidade é revelada ao longo do livro. Torna-se uma personagem masi complexa e interessante do que seria de prever nas primeiras referências.
Gale é uma personagem quase ausente, exceto por se encontrar na mente e memória de Katniss constantemente. É amigo da Katniss e percebe-se que o sentimento romântico, apesar de nunca falado, está lá. É deixado muito mistério no que toca à personalidade dele.
Além da problemática política e existencialista e da temática obviamente presente do Deus ex-machina, há o lado pessoal das personagens e consequentemente um triângulo amoroso. 
Os triângulos amorosos têm sido considerados clichés ultimamente. No entanto, uma vez que o enredo principal não é a vida amorosa de Katniss, o triângulo amoroso é uma mais valia. Cria emotividade e aguça a curiosidade.
Por fim, a nível técnico, temos uma narrativa na primeira pessoa com o uso do presente do indicativo. Esta opção verbal permite ao leitor acompanhar passo a passo os movimentos de Katniss, o que aumenta o fator surpresa.
O vocabulário é simples e os termos são conhecidos apesar de se tratar de um livro futurista. Há alguma referência a espécies de animais e outros objetos fictícios, mas mesmo estes são explicados aquando a sua aparição. 


O FILME: Depois de ter tido alguma formação em cinema e literatura, nomeadamente em adaptações cinematográficas, passei a conseguir identificar boas adaptações que vão para além dos ingénuos "cortaram imensas cenas", "não foi aí que ela disse isso", entre outras. 
Partindo daí, a adaptação ao livro "Os jogos da fome" rendeu cerca de duas horas e meia de filme, o que já é considerado extenso.
Uma vez que temos uma narrativa na primeira pessoa, a opção seria utilizar voz-off durante quase todo o filme. Para cortar esse efeito que torna os filmes aborrecidos e parados, a opção foi dar-nos acesso àquilo que Katniss não viu. Logo, temos cenas dos produtores dos jogos e das reações dos telespetadores ao que se vê na televisão. As explicações relativas a tantas cenas, por exemplo o que são as vespas-batedoras - que  são-nos dadas por Katniss no livro - são aqui explicadas pelos apresentadores do espetáculo. Este método permitiu dar velocidade à história.
O casting está bem escolhido e as ligações entre as cenas pré jogos bem estruturada. 
O final é que me pareceu apressado e houve alterações que não encontro justificação, uma vez que não alterariam a nível de tempo e orçamento - que é o que move a sétima arte.
O que teve de mais negativo foram os planos demasiado rápidos que por vezes não deixam perceber o que se está a passar, e o som que é cortado ou substituído por música nas cenas mais fortes. Pode ter sido para suavizar a ação, não deixando as cenas terem a dureza que realmente possuem, mas a meu ver, não foi uma boa escolha. A história preza pela crueldade e pela força do argumento fatalista. Tirar-lhe isso, é tirar-lhe a essência.
No que toca à interpretação das personagens, Katniss é a única que deixa um pouco a desejar, sobretudo no que toca às emoções. Ao longo do livro vamos vendo uma Katniss a fingir aquilo que sente para as câmaras, mas sabemos como se sente realmente. Penso que deveria ter havido uma maior cuidado e passar essa imagem. Contudo, tendo em conta que era a personagem mais complicada de caracterizar, a atriz fez um ótimo trabalho.
Em suma, tanto ao nível cinematográfico como ao nível literário, "Os jogos da fome" é uma história interessante, de elevado grau de ansiedade e que tem imenso por onde refletir. 

quinta-feira, 22 de março de 2012

Um toque de sangue - Charlaine Harris

SINOPSE: Sookie Stackhouse é a empregada de bar preferida de 

todos. Uma loura bonita e alegre... que consegue ler mentes. 
Mas está longe de ser a única residente em Bon Temps, Louisiana, 
com uma particularidade especial, com os vampiros 
locais reclamando os seus direitos inumanos e os lobisomens 
lutando por território... Aliás, Bon Temps tornou-se um sítio 
bastante animado por estes dias!

OPINIÃO: Voltar ao mundo de Sookie Stackhouse tem o sabor de um regresso a casa depois de algum tempo longe. 
Neste pequeno livro, que está fora da coleção por se tratar de um livro de contos, há um apanhado de situações inéditas que apresentam o mundo do sul do Louisiana. Para facilitar a leitura, há um texto no início da autora a explicar onde se localizam os contos na história. No entanto, este livro pode ser lido independentemente da coleção, uma vez que os pormenores mais relevantes são explicados quando suscitados na narrativa.
Cada conto procura centrar-se numa parte da vida de Sookie, sempre focando a sua habilidade de ler pensamentos. 
Conto a conto, Charlaine Harris volta a mostrar o seu lado policial e também romântico. Claude e Claudine procuram o assassino da irmã; Eric organiza uma festa a contar receber o Conde Drácula; Sookie e Amelia, a sua amiga bruxa, ajudam a resolver um caso de má sorte local e uma alcateia de lobisomens procura um membro que por acaso Sookie acolheu em sua casa.
Como sempre é uma delícia ler a escrita fluente de Harris e encarnar em Sookie para o seu estranho dia a dia.
Este livro serviu para abrir ainda mais o apetite para os próximos volumes.
Adoro este mundo de Charlaine Harris.

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