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segunda-feira, 26 de março de 2012

Os jogos da fome - Suzanne Collins

SINOPSE: Num futuro pós-apocalíptico, surge das cinzas do que foi a América do Norte Panem, uma nova nação governada por um regime totalitário que a partir da megalópole, Capitol, governa os doze Distritos com mão de ferro. Todos os Distritos estão obrigados a enviar anualmente dois adolescentes para participar nos Jogos da Fome - um espectáculo sangrento de combates mortais cujo lema é «matar ou morrer». No final, apenas um destes jovens escapará com vida… Katniss Everdeen é uma adolescente de dezasseis anos que se oferece para substituir a irmã mais nova nos Jogos, um acto de extrema coragem… Conseguirá Katniss conservar a sua vida e a sua humanidade? Um enredo surpreendente e personagens inesquecíveis elevam este romance de estreia da trilogia Os Jogos da Fome às mais altas esferas da ficção científica.

OPINIÃO: "Os jogos da fome" é um livro que marca. 
Pela voz de Katniss, conhecemos o mundo de Panem, uma nação opressiva que controla o povo pelo medo.
A hipocrisia está assente n' "os jogos da fome" que servem para relembrar o povo do que acontece se se instalar uma guerra. Segundo o capitólio, estes tributos são corajosos sacrifícios, quando no fundo são apenas crianças - com idades que variam dos 12 aos 17 - cujo nome foi tirado no dia da ceifa não tendo agora forma de fintar a sorte.
Vinte e quatro tributos são enviados para uma arena até sobrar apenas um. Katniss impõe-se pela irmã como voluntária e juntamente com o filho do padeiro, Peeta, são enviados para uma floresta carregada de perigos e de fome de sobrevivência.
A ansiedade é constante e a imprevisibilidade um fator muito importante na leitura frenética que se sente ao longo das páginas.
Katniss é uma jovem forte e corajosa, pelo menos assim o tenta aparentar. Foi criada a engolir as suas emoções que mais a fragilizam para proteger a irmã Prim da vida triste e precária que têm no distrito 12. A fome é uma realidade muito pesada neste distrito. A habilidade da caça será o seu ponto forte durante o reality show.
Peeta é o filho do padeiro. É um jovem calmo, simpático e trabalhador. As suas habilidades são a camuflagem - que aprende a decorar bolos - e a força - de carregar sacos de farinha diariamente. Peeta é um rapaz de emoções fortes e transparente. O contraste com Katniss não poderia ser maior.
Haymitch é o bêbado mentor dos tributos do distrito 12. Ganhou os jogos da fome no passado e a sua personalidade é revelada ao longo do livro. Torna-se uma personagem masi complexa e interessante do que seria de prever nas primeiras referências.
Gale é uma personagem quase ausente, exceto por se encontrar na mente e memória de Katniss constantemente. É amigo da Katniss e percebe-se que o sentimento romântico, apesar de nunca falado, está lá. É deixado muito mistério no que toca à personalidade dele.
Além da problemática política e existencialista e da temática obviamente presente do Deus ex-machina, há o lado pessoal das personagens e consequentemente um triângulo amoroso. 
Os triângulos amorosos têm sido considerados clichés ultimamente. No entanto, uma vez que o enredo principal não é a vida amorosa de Katniss, o triângulo amoroso é uma mais valia. Cria emotividade e aguça a curiosidade.
Por fim, a nível técnico, temos uma narrativa na primeira pessoa com o uso do presente do indicativo. Esta opção verbal permite ao leitor acompanhar passo a passo os movimentos de Katniss, o que aumenta o fator surpresa.
O vocabulário é simples e os termos são conhecidos apesar de se tratar de um livro futurista. Há alguma referência a espécies de animais e outros objetos fictícios, mas mesmo estes são explicados aquando a sua aparição. 


O FILME: Depois de ter tido alguma formação em cinema e literatura, nomeadamente em adaptações cinematográficas, passei a conseguir identificar boas adaptações que vão para além dos ingénuos "cortaram imensas cenas", "não foi aí que ela disse isso", entre outras. 
Partindo daí, a adaptação ao livro "Os jogos da fome" rendeu cerca de duas horas e meia de filme, o que já é considerado extenso.
Uma vez que temos uma narrativa na primeira pessoa, a opção seria utilizar voz-off durante quase todo o filme. Para cortar esse efeito que torna os filmes aborrecidos e parados, a opção foi dar-nos acesso àquilo que Katniss não viu. Logo, temos cenas dos produtores dos jogos e das reações dos telespetadores ao que se vê na televisão. As explicações relativas a tantas cenas, por exemplo o que são as vespas-batedoras - que  são-nos dadas por Katniss no livro - são aqui explicadas pelos apresentadores do espetáculo. Este método permitiu dar velocidade à história.
O casting está bem escolhido e as ligações entre as cenas pré jogos bem estruturada. 
O final é que me pareceu apressado e houve alterações que não encontro justificação, uma vez que não alterariam a nível de tempo e orçamento - que é o que move a sétima arte.
O que teve de mais negativo foram os planos demasiado rápidos que por vezes não deixam perceber o que se está a passar, e o som que é cortado ou substituído por música nas cenas mais fortes. Pode ter sido para suavizar a ação, não deixando as cenas terem a dureza que realmente possuem, mas a meu ver, não foi uma boa escolha. A história preza pela crueldade e pela força do argumento fatalista. Tirar-lhe isso, é tirar-lhe a essência.
No que toca à interpretação das personagens, Katniss é a única que deixa um pouco a desejar, sobretudo no que toca às emoções. Ao longo do livro vamos vendo uma Katniss a fingir aquilo que sente para as câmaras, mas sabemos como se sente realmente. Penso que deveria ter havido uma maior cuidado e passar essa imagem. Contudo, tendo em conta que era a personagem mais complicada de caracterizar, a atriz fez um ótimo trabalho.
Em suma, tanto ao nível cinematográfico como ao nível literário, "Os jogos da fome" é uma história interessante, de elevado grau de ansiedade e que tem imenso por onde refletir. 

quinta-feira, 22 de março de 2012

Um toque de sangue - Charlaine Harris

SINOPSE: Sookie Stackhouse é a empregada de bar preferida de 

todos. Uma loura bonita e alegre... que consegue ler mentes. 
Mas está longe de ser a única residente em Bon Temps, Louisiana, 
com uma particularidade especial, com os vampiros 
locais reclamando os seus direitos inumanos e os lobisomens 
lutando por território... Aliás, Bon Temps tornou-se um sítio 
bastante animado por estes dias!

OPINIÃO: Voltar ao mundo de Sookie Stackhouse tem o sabor de um regresso a casa depois de algum tempo longe. 
Neste pequeno livro, que está fora da coleção por se tratar de um livro de contos, há um apanhado de situações inéditas que apresentam o mundo do sul do Louisiana. Para facilitar a leitura, há um texto no início da autora a explicar onde se localizam os contos na história. No entanto, este livro pode ser lido independentemente da coleção, uma vez que os pormenores mais relevantes são explicados quando suscitados na narrativa.
Cada conto procura centrar-se numa parte da vida de Sookie, sempre focando a sua habilidade de ler pensamentos. 
Conto a conto, Charlaine Harris volta a mostrar o seu lado policial e também romântico. Claude e Claudine procuram o assassino da irmã; Eric organiza uma festa a contar receber o Conde Drácula; Sookie e Amelia, a sua amiga bruxa, ajudam a resolver um caso de má sorte local e uma alcateia de lobisomens procura um membro que por acaso Sookie acolheu em sua casa.
Como sempre é uma delícia ler a escrita fluente de Harris e encarnar em Sookie para o seu estranho dia a dia.
Este livro serviu para abrir ainda mais o apetite para os próximos volumes.
Adoro este mundo de Charlaine Harris.

Ghostgirl: O regresso - Tonya Hurley

SINOPSE: Em ghostgirl – A Rapariga Invisível,Charlotte engasgou-se com uma goma e morreu e, neste novo livro –O Regresso - ela ainda está a debater-se com a sua "não vida".

A vida era para Charlotte uma grande desilusão, e parece que depois de morta também não vai ser melhor. Convencida de que acabar o Ensino para Mortos lhe iria assegurar a passagem para a vida eterna, Charlotte descobre, para sua grande surpresa, que depois disso ainda vai ter de fazer um estágio!
Atender telefones num centro para adolescentes problemáticos não é a coisa mais excitante do mundo. Pelo menos não era, até Scarlet ligar: uma sessão de pedicura que corre mal deixa a sua irmã Petula em coma e Scarlet acredita que Charlotte é a única que a poderá ajudar...


OPINIÃO: No segundo volume de "Ghostgirl", Charlotte já atravessou o mundo mortal, mas contrariamente ao que ela pensava, vê-se presa a um trabalho aborrecido de call center. O objetivo é ajudar os adolescentes mortais a resolverem os seus problemas, mas o telefone de Charlotte não toca e ela angustia-se neste pós vida que a leva a desejar novamente estar viva. 
Enquanto isso, Scarlet vive novos sentimentos, como a insegurança e o ciúme, até a sua irmã Petunia sofrer um acidente bastante hilariante que a deixa em coma. 
Neste volume temos a perspetiva de outras personagens o que traz outro interesse, diferente, em relação ao primeiro livro. 
Continua a ser um livro infantil, com linguagem coloquial e de fácil compreensão, contudo, tem uma vertente moralista que o torna mais interessante. Uma nova personagem vem trazer uma visão diferente ao mundo de Charlotte e talvez amadurecê-la. psicologicamente. 
Desta vez, Scarlet perde um pouco o seu encanto, mas Petunia traz a vez à irmã nos diálogos interessantes que tem no limbo com uma jovem criança que lhe irá abrir os olhos e despertar sentimentos que não sabia que os tinha. 
Ghostgirl é uma leitura dirigida ao público infanto-juvenil mas que pode igualmente deliciar os adultos que procuram algo leve.

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