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terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Scarpetta - Patricia Cornwell

SINOPSE: Deixando para trás as suas funções no campo da patologia forense em Charleston, South Carolina, Kay Scarpetta aceita uma nova missão em Nova Iorque, onde o departamento de polícia lhe pediu que examinasse um indivíduo ferido, que se encontra detido na ala de detenção psiquiátrica do Hospital de Bellevue. O paciente, Oscar Bainne, algemado e atrás das grades, pediu especificamente que chamassem Scarpetta, a quem acabou por contar uma das histórias mais bizarras que ela alguma vez ouviu, informando-a de que os seus ferimentos foram infligidos no decurso de um crime... que ele não cometeu.

OPINIÃO: Este é o 16º livro da coleção Kay Scarpetta de Patricia Cornwell. No entanto, podem ler este volume sem sentir necessariamente falta da leitura dos anteriores, tal como eu fiz.
Contado de uma forma impessoal com variadíssimas menções científicas, Patricia mostrou ser especialista na arte de construir policiais.  É impossível não admitir que a autora é conhecedora de tecnologia e de ciência, no limite que temos personagens capazes nas diferentes áreas. Acredito que para construir este enredo, a autora necessitou de imensa pesquisa para dar credibilidade às técnicas forenses.
O mistério recai sobre uma morte macabra a uma "pessoa pequena" cujo par, também ele pequeno, é o principal suspeito. Contudo, Oscar afirma não ter assassinado a namorada apesar de tudo indicar o contrário. É aí que uma equipa excelente se junta para desvendar quem é o psicopata que assassinou a anã e fez de tudo para intitular Oscar de "O anão assassino".
Kay Scarpetta é a melhor médica legista de sempre. Famosa presença da CNN e uma mulher desejada pelos homens e invejada pelas mulheres. Kay é assim, mesmo dentro de toda a atenção que a rodeia, humilde, preocupada, calma e ... resumidamente a mulher perfeita!
Assim se apresenta a protagonista desta coleção que é mais vezes mencionada do que propriamente presente nas linhas.
Lucy, sobrinha de Kay, é uma das personagens mais interessantes. Um autêntica génio tecnológico e dotada de um espírito irreverente. As suas ações são imprevisíveis.
Berger, a chefe da "equipa" é uma mulher fria e calculista com o profissionalismo a roças a pele. Gostava que esta personagem tivesse tido mais destaque.
Pete Marino tem uma história conturbada com Scarpetta. A expetativa do confronto entre ambos é positivo, contudo o resultado é praticamente esquecido durante as revelações finais.
Por fim, Benton, marido de Kay e psicólogo forense é difícil de definir. Não sei se a intenção da autora seria esta mas este personagem é fraco, tenta ser manipulador conseguindo enfiar os pés pelas mãos, é um tanto mentiroso, cobarde e cínico.
Para quem gosta de policiais, acredito que Scarpetta será um livro muito bom para a vossa coleção.
Tenho mesmo de confessar que a meio do livro eu sabia quem era o assassino, e vocês? ;)

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

O mar de ferro - George R.R. Martin

SINOPSE: Quando Euron Greyjoy consegue ser escolhido como rei das Ilhas de Ferro não são só as ilhas que tremem. O Olho de Corvo tem o objectivo declarado de conquistar Westeros. E o seu povo parece acreditar nele. Mas será ele capaz? 
Em Porto Real, Cersei enreda-se cada vez mais nas teias da corte. Desprovida do apoio da família, e rodeada por um conselho que ela própria considera incapaz, é ainda confrontada com a presença ameaçadora de uma nova corrente militante da Fé. Como se desenvencilhará de um tal enredo? 
A guerra está prestes a terminar mas as terras fluviais continuam assoladas por bandos de salteadores. Apesar da morte do Jovem Lobo, Correrrio ainda resiste ao poderio dos Lannister, e Jaime parte para conquistar o baluarte dos Tully. O mesmo Jaime que jurara solenemente a Catelyn Stark não voltar a pegar em armas contra os Tully ou os Stark. Mas todos sabem que o Regicida é um homem sem honra. Ou não será bem assim?



OPINIÃO: A fasquia torna a subir com os capítulos de Brienne, Jaime e Cersei.
É-nos dado a conhecer um pouco mais do mundo das ilhas de Ferro e de Dorne. "Novas" personagens trazem novos conflitos e ligações surpresa com aqueles que já conhecemos.
Revelações surpreendentes no que toca a planos antigos dos Dorne e justificações às princesas que mostram a outra face de uma moeda que até agora parecia revestida de cobardia e subordinação aos Lannisters.
Da muralha nada se sabe, de Tyrion também não... Contudo, Westeros começa a estar ciente da existência dos dragões e da princesa,"a mulher mais bela do mundo", que os comanda. Estas passagens em diálogos aleatórios deixam o bichinho da curiosidade aguçado e a ansiedade de ver o confronto do povo dos Sete Reinos com a rainha nascida das tormentas.
Sem dúvida que quem transforma este volume numa leitura ávida e voraz são os gémeos Lannister e as mudanças que se dão íntimo de cada um. Jaime é cada vez elevado à cor cinza típica das personagens de Martin. Conhecer o Regicida tem sido um prazer enorme e afirmo que se Martin nos privar desta personagem ficarei tão ou mais aborrecida como quando nos foi tirado o Ned Stark.
Cersei está a ver todo o mal que enviou vir de encontro a ela. Julgo que a sua vez aproxima-se a passos largos e estou satisfeita com a forma como a sua sorte mudou. A personalidade desta personagem está sob uma leitura nas entrelinhas e vê-se bem como Cersei começa a dar nós nas próprias pernas nas tentativas desesperadas de se assemelhar ao pai.
Arya e Sansa estão estagnadas e tudo de novo que se verifica é sobretudo em diálogo e expetativas que as personagens criam para um futuro próximo. Tal, é significativo uma vez que quem leu até este volume sabe como os planos podem sair furados facilmente.
Esta série está entre as minhas melhores leituras de todos os tempos. Estou totalmente rendida ao mundo de Martin e às personagens que ele criou que agem como se tivessem vida própria.
Quem nunca leu, aconselho MESMO!
Quem desistiu no sétimo volume, peguem neste que vale a pena!

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

As brumas de Avalon: A senhora da magia - Marion Zimmer Bradley

SINOPSE: O clássico As Brumas de Avalon regressa ao mercado português para dar a conhecer a uma nova geração esta história mágica e intemporal centrada nas mulheres que, por detrás do trono de Camelot, foram as verdadeiras detentoras do poder. 


Morgaine é ainda uma criança quando testemunha a ascensão de Uther Pendragon ao trono de Camelot. Uther deseja Igraine, a mãe de Morgaine, presa a um casamento infeliz com Gorlois. Mas há forças maiores que estão em curso e que se preparam para mudar as suas vidas para sempre. Através da sua sacerdotisa Viviane, Avalon conspira para unir Uther a Igraine e dessa aliança nascerá Arthur, a criança que salvará as Ilhas. Morgaine, dotada com a Visão, é levada por Viviane para Avalon onde irá receber treino como sacerdotisa da Deusa Mãe. É então que assiste ao despertar das tensões entre o velho mundo pagão e a nova religião cristã. O que Morgaine desconhece é que o destino irá armar-lhe uma cilada e pô-la, de novo, no caminho do meio-irmão Arthur da forma que menos espera…


OPINIÃO: Um livro com imensa profundidade, com uma história incrivelmente bem estruturada, personagens autênticas e com elevados momentos que inspiram à reflexão.
Marion Zimmer Bradley escreveu sobre a lenda arturiana e já isso por si é maravilhosamente apetecível. Porém, para ler este livro, tive de deixar de parte tudo o que sabia da lenda, porque como sabemos, de autor para autor a história sofre sempre mudanças.
"A senhora da magia" é centrada nas mulheres o que talvez torne a leitura mais apelativa ao sexo feminino. (se estiver enganada em relação a esta afirmação, melhor!)
 Igraine, mãe de Morgaine e de Arthur, é a voz da primeira parte da narrativa. Esta mulher foi lançada para o seu destino contrariada e todos os passos que deu foram traçados meticulosamente pela Deusa, através da sua irmã Viviane e o Merlim Tailiesin. Quando deparada com a possibilidade de um destino ao lado de Uther, Igraine cai numa luta interior, a culpa de desejar intimamente a queda e morte do atual marido Gorlois e a vontade de se unir ao homem que ama. 
Devo dizer que adorei esta personagem enquanto foi narrado o seu crescimento como rainha, mas o seu "fim" é inesperado e triste.
Morgaine, a principal figura deste livro, "é pequena e feia como as fadas". É a personagem mais ambígua do enredo e consegue surpreender com as suas oscilações de pretensões e desejos. No entanto, uma vez que acompanhamos vários estágios da sua vida, tal é natural, a criança tem aspirações diferentes da adolescente e da mulher.
Viviane, a terceira figura feminina, é uma personagem difícil de definir. A sacerdotisa tem atitudes que deixam a desejar e no entanto é de uma presença e poder inigualável a qualquer outro personagem.
Uther é galante e com uma pitada de infantilidade que o deixa irresistível. É um homem de uma força orgulhosa e destemido. O seu amor é digno de contemplação dando-lhe uma faceta humana que o completa por inteiro. Adorei as passagens que protagonizou.
Arthur é algo vago neste volume, uma vez que só nasce a mais de meio do livro.
A escrita leva ao limite das emoções o que cativa imenso, arrastando o leitor para o sentimentalismo, para a empatia com quem sofre.
É fascinante ver onde Bradley insere as personagens que sempre habitam a lenda arturiana: Lancelot, Gwaine, Guinivere, Morgause, Ector, Kay, entre outros.
Fiquei desejosa de ler o segundo e saber quem é aquele que ficou por nascer e que irá trazer grandes mudanças!
Obrigada SdE por reeditares esta maravilhosa coleção.

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