Pesquisar neste blogue

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Percepção: Uma estranha realidade - Sara Farinha

SINOPSE: Joana cedo descobriu que os estados emocionais dos outros toldavam o seu raciocínio e moldavam o seu comportamento. 



Em busca duma vida anónima, Joana esconde-se em Londres, procurando ignorar a maldição que a impede de viver uma vida normal. É aí que a sua vida se cruza com a de Mark, um arqueólogo americano que viaja pelo mundo à procura de outros sensitivos como ele. Joana relutantemente aceita a amizade de Mark, acabando por encontrar nele o seu maior aliado na aprendizagem sobre a vivência dum sensitivo. 

As capacidades crescentes de Joana atraem as atenções não só de Mark como do Convénio, uma organização ilegal que pretende reunir sobre o seu domínio todos os Sensitivos. É apenas quando a sua melhor amiga é posta em perigo, que Joana descobre que a sua maldição pode ser um dom, e que a vida ultrapassa todos os seus receios e expectativas.


OPINIÃO: A Alfarroba é considerada por muitos leitores a editora revelação do ano. Entre os livros editados está "Percepção - uma estranha realidade" de Sara Farinha.
Este livro é centrado em Joana, uma jovem que vive atormentada pelo seu dom/maldição de ser sensitiva. 
A personalidade de Joana é amedrontada e para além de Lara, esta é mesmo uma anti social. Ao longo da obra vemos um crescimento, ou até mesmo uma aparição dela mesma, conforme se relaciona com o seu poder. Entendemos assim que a protagonista não conseguia viver plenamente até à data em que Mark surge na sua vida.
O que é ser sensitiva? É esta a temática que envolve o enredo deste livro, enquanto conhecemos também o lado romântico do mesmo.
Sara conseguiu desmistificar um "poder" complexo que é o das sensações. Sem desvios na lógica e com cuidado na exploração dos momentos onde que se trata do assunto de ser sensitivo, Sara traz um mundo totalmente novo.
Esperava uma protagonista que lia pensamentos e afins, no entanto Joana é mais do que isso, é como se fosse uma raça diferente da nossa, pois, como irão ver, tem certas necessidades diferentes dos humanos.
Só pecou pela focalização exagerada no romance entre Joana e Mark e precisava de mais diálogos. 
Espero que num próximo volume possa vir a conhecer um pouco mais do convénio e um leque mais variado de personagens.
Porém, tem que se salientar as descrições da cidade londrina onde decorre a ação que são fantásticas e cuidadas.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Conspiração 365 - Maio - Gabrielle Lord

SINOPSE: Ouve-se gritos por todo o lado. Cal foi internado num manicómio sob outra identidade e não faz ideia de quem o levou para ali. Como os médicos estão convencidos de que Cal - Ben Galloway - está a delirar, não têm qualquer pretensão de o libertar… e o perigo espreita dos dois lados das grades. 
Preso numa camisa-de-forças, Cal vê-se impedido de se encontrar com o tio-avô Bartolomeu ou de resolver o Perigoso Mistério dos Ormonds... 
Ninguém acredita numa palavra do que ele diz - nem mesmo a verdade pode salvá-lo agora. O relógio não para… Cada segundo pode ser o último…




OPINIÃO: Já estava com saudades das desventuras de Cal. A falta de sorte que ao mesmo tempo caminha a seu lado dela, é um dos ingredientes que fazem destes livrinhos impossíveis de resistir.
Neste volume, Cal vê-se preso num manicómio. A ansiedade que dá ao imaginar semelhante situação... nem vos conto, estava ansiosa de ver como é que a autora ia dar a volta a esta situação.
Uma das suas maiores vantagens é a amizade que o cerca, sem o papel crucial dos amigos, há muito que o "rapaz psicopata" já tinha ido preso. 
É-nos dada a conhecer uma nova personagem que me partiu completamente o coração. Até à data ainda não tinha sentido aquela empatia que nos toca, não tinha ainda visto nenhuma cena que me deixasse triste e este volume prima por isso.
Só fiquei um pouco desiludida por não se falar do sósia, que é o segredo que mais curiosidade me suscita.
Adoro esta coleção e aconselho a miúdos e graúdos.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Rei Édipo - Devaneios da entidade reveladora (Regresso)

“Como é terrível o saber quando não traz vantagem possuí-lo – Este é um facto que eu bem conheço, mas havia-me esquecido.” Sófocles, Rei Édipo, vv.316-317.
    Esta magnífica frase que fala de um conhecimento que é desastroso e que havia sido esquecido, retrata em grande a obra clássica, mítica e única de o “Rei Édipo”.
    Esta é mais uma das luminosas peças da Grécia Antiga que ilustra o poder que o destino tem sobre a vida dos mortais. É precisamente a esse saber que esta sentença se refere, para quê ter conhecimento de algo que não é possível mudar?
    O destino de Édipo foi traçado para cumprir uma linha terrível à sua nascença, matar o pai e casar com mãe. No entanto como qualquer humano dotado de um ego desmedido ao tamanho do seu escasso poder, Édipo pensou que poderia alterar o rumo das palavras do mensageiro. Contudo, as linhas foram escritas “tortas” e Édipo ao fugir da casa dos pais acaba por se dirigir directamente para onde o destino deseja que este se encaminhe. Logo, esta notícia que veio do mensageiro, não foi em vão, é propositado que Édipo adquira o conhecimento destas palavras fatídicas que o farão tomar atitudes, à partida acertadas mas que o enviarão a cumprir inconscientemente o carma a si imposto.
    Este saber não trouxe felicidade para Édipo mas com os anos foi esquecido. Nessa altura o valente sabia a densidade que certas palavras podem ter na vida dos mortais, ao ter de fugir do local onde cresceu e afastar-se de quem o criou, Édipo conheceu na pele o poder que o inalcançável e as suas sentenças têm sobre os mortais. Contudo, no futuro comete o erro de querer conhecer as verdades que o demolirão. O ego retorna com o esquecimento e com a aparente finta que este pensa ter dado ao destino, até que este o arrebata sem piedade.
O drama que envolve a história de Édipo é sufocante porque o leitor conhece antes do personagem a verdade que este procura incessantemente e antecipa as acções que tamanha informação poderá despoletar.
Nesta peça reconhecemos dois tipos de conhecimentos, aquele que a sentença se refere, o indesejável que não se pode alterar e aquele que está em falta na consciência da personagem. Isto é, se Édipo conhecesse as suas origens, se soubesse que fora entregue aos pais que conhece quando era apenas um bebé, ele nunca teria ido de encontro à sua destruição.
A veracidade da frase é inquestionável quando analisado o trágico caminho que Édipo percorre, foi o saber que o destruiu juntamente com a incapacidade humana de aceitar o destino imposto, porque foi este último que o impeliu a agir erradamente.

Arquivo do blogue