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terça-feira, 27 de dezembro de 2011

Entrevista a Samuel Pimenta

1. Fala-nos um pouco sobre ti.
Sou um ser humano como todos os outros, com a particularidade de ser fascinado pelas palavras e pelas histórias que elas nos contam. Por ter percebido isso quando ainda era criança, comecei a escrever bem cedo, partilhando as histórias que me povoam a imaginação e dando-lhes forma, corpo, vida. E é por escrever essas histórias que sinto ser quem realmente sou.

2. Agora sobre o teu livro.
O meu livro, "O Escolhido", é o primeiro de um conjunto de três. É uma história que se insere no chamado género Fantástico. É sobre um jovem de dezoito anos, o Heros, que percebe que o mundo precisa da sua coragem e determinação para que o Senhor de Narzol, o grande vilão da história, não tome posse de seis objectos cujo poder permitirá o controlo do mundo, as Seis Chaves de Cristal. Inseri muitos elementos fantasiosos na trama, desde seres que imaginei, a uma sociedade mágica organizada em ilhas ocultas no planeta Terra. Também criei um sistema político próprio, a Monarquia Democrática, assim como línguas e dialectos.
O livro, e a história da trilogia em si, assenta na exaltação de valores como a amizade, a coragem, a lealdade e a honra. E, como a maioria dos livros do género Fantástico, pode ser visto como uma metáfora do mundo real em que vivemos, onde as lutas entre Bem e Mal dão lugar às guerras que opõem diversos países do planeta; a ganância pelo domínio do mundo dá lugar à falta de escrúpulos para se atingirem objectivos de ganho pessoal; e a esperança de que forças mágicas unidas possam combater a cobiça de um Senhor do Mal dá lugar à esperança que todos sentimos de que a justiça prevaleça sobre a injustiça. Porém, a ficção tem-nos habituado a finais felizes. Veremos se a trilogia seguirá essa tendência.

3. De onde surgiu a idéia para esta história?
Posso dizer que a ideia de escrever a trilogia surgiu de uma fusão de inspirações: por um lado, sempre fui uma criança muito fantasiosa e lembro-me de ser vidrado nos filmes da Disney; por outro lado, sempre me senti muito próximo da Natureza, dado que cresci no campo, o que também me alimenta a imaginação. Quando despertei para a escrita, penso que passei a reunir todos os ingredientes para que nascessem as personagens e o mundo de "O Escolhido". Dessa forma, decidi materializá-los em livro.


4. Já tens projetos futuros? Pretendes manter o mesmo género? Podes dar-nos uma luz do que virá?
Quanto ao futuro, tenho em mente alguns projectos. O 2.º volume da trilogia está na editora há cerca de um ano e não tenho previsões de quando será editado. Sei que quero encerrar a trilogia e empenhar-me a 100% noutro tipo de registo literário. Não que não goste do género Fantástico, bem pelo contrário, mas sinto que devo prosseguir com outro registo. Actualmente, no meu blog oficial, tenho publicado textos que se aproximam bastante do registo que pretendo seguir. E não me refiro, somente, ao texto narrativo, mas também ao dramático e ao lírico. Acima de tudo, quero escrever, quero poder transformar o mundo em palavras.

5. O que pensas da literatura portuguesa? Costumas ler? Achas importante apostar no que é nacional?
Leio autores portugueses e são dos que mais me fascinam. A literatura portuguesa é notável, por muito que os portugueses a encarem com desconfiança. É uma tendência que tem vindo a diminuir, mas ainda há muito trabalho a fazer nesse aspecto, essencialmente nas campanhas de marketing das editoras e das livrarias. Contudo, os leitores também devem estar mais despertos nesse sentido.  Penso que, se se apostasse no que é nacional, e não falo só de literatura, estaríamos numa situação bem melhor do que a que enfrentamos.

6. Autores que te inspiram:
Os autores que mais me inspiram, tanto pelo que escrevem, como pela sua história de vida, são Sophia de Mello Breyner, Hermann Hesse, José Saramago, Fernando Pessoa, Eça de Queiroz, Almeida Garrett, Padre António Vieira, J. K. Rowling, Tolstoi, Lewis Carroll, Luís de Camões, Dostoievski, Paulo Coelho, Florbela Espanca, Miguel Torga, Eugénia Frazão e penso que é melhor parar por aqui, que já me estou a alongar.

7. Livros:
"Contos Exemplares", de Sophia de Mello Breyner; "Contos", de Eça de Queiroz; "Todos os Nomes", de José Saramago; "Siddhartha", de Hermann Hesse; "O Carteiro de Pablo Neruda", de Antonio Skármeta; "Da Liberdade de Pensamento e de Expressão", de John Stuart Mill; "Elogio da Loucura", de Erasmo de Roterdão; "O Principezinho", de Antoine de Saint-Exupéry; "O Alquimista", de Paulo Coelho; "O Último Dia de Um Condenado", de Victor Hugo; e, claro, a saga "Harry Potter", de J. K. Rowling.

8. Filmes:
"As Horas" e "O Leitor", de Stephen Daldry; a trilogia "O Senhor dos Anéis", de Peter Jackson; "Expiação" e "Orgulho e Preconceito", de Joe Wright; "Babel" e "21 gramas", de Alejandro Iñárritu; "O Fabuloso Destino de Amélie", de Jean-Pierre Jeunet; "O Segredos dos Seus Olhos", de Juan José Campanella; "O Estranho Caso de Benjamin Button", de David Fincher; "O Paciente Inglês", de Anthony Minghella; "A Janela Secreta", de David Koepp; "À Procura da Terra do Nunca", de Marc Forster; e muitos outros, aprecio muito a sétima arte.
 
9. Apelos ou agradecimentos que queiras deixar:
Antes de mais, quero agradecer-te a ti, Andreia, pela entrevista. Agradeço aos meus familiares e amigos por acreditarem verdadeiramente em mim, assim como aos meus leitores, bloggers e meios de comunicação que me têm auxiliado na promoção da minha escrita. Todos têm demonstrado uma gentileza excepcional.
Quanto a apelos, sugiro a toda a gente que ouse acreditar no seu verdadeiro potencial e que lute por ele de forma honrada e corajosa, não temendo partilhar esse potencial com o mundo. Pois é partilhando o que temos de melhor com os outros que fazemos do mundo um lugar mais rico e encantador.

10. O que achas do blog d311nh4?
Penso que é um blog empenhado em dar um tratamento digno e rigoroso à literatura, num tom acessível a todos os leitores e não demasiado sério. Penso que está num bom caminho!
 
O objetivo é que a partir desta entrevista façam vocês as vossas perguntas. 
Para submeter perguntas ao Samuel enviem um e-mail para d311nh4@gmail.com e no assunto Entrevista a Samuel Pimenta.
Ao atingirmos as 10 perguntas, sai a 2ª entrevista.
 
 
 
 Clique na capa para ver a opinião no blog!
 

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

O Tempo Que Já Não Viverei - Fabio Volo

SINOPSE: Esta narrativa conta a história de um homem profundamente dividido entre a infância dominada por uma figura paterna ausente e por um constante sentimento de inadequação. Lorenzo, agora adulto, luta ainda por conquistar o amor do pai e o amor de uma mulher. Enquanto nos narra a sua vida e o porquê de ser como é, Lorenzo vai intercalando alguns capítulos sobre aquela que o deixou há dois anos e cujo nome só conhecemos na última frase do livro. Autor bestseller em Itália, aclamado pela crítica e adorado pelos leitores, assina o presente romance considerado a sua obra mais sentida e genuína. O Tempo que já não Viverei inclui uma dedicatória para os leitores portugueses.

OPINIÃO: Um retrato fidedigno de uma vida, sem exageros, sem grandes mudanças drásticas que servem de reviravolta, sem momentos de ação que nos levam à incredulidade quanto à veracidade. 
Escrito na forma de um diário, na primeira pessoa, Lorenzo é o porta voz desta narrativa.
Os capítulos oscilam entre o crescimento do narrador e os seus problemas de afetividade com o pai e o panorama adulto em que se vê a curar-se, depois de dois anos, da partida "daquela que o deixou".
É um livro deveras introspetivo e é impossível não nos vermos familiarizados com esta história, uma vez que é da vida que se trata e essa todos a temos até certo dia.
A personagem Lorenzo cresce ao longo do livro a um ritmo lento, mas percetivel. É gratificante chegar ao ponto onde o protagonista decide tomar as rédeas da sua própria vida e agir consoante o seu prazer.
O final, devo dizer, deixou-me a refletir. Deixo-vos a curiosidade de encontrar nas últimas páginas o desfecho que me surpreendeu e me tocou.

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quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

A glória dos traidores - George R.R.Martin

SINOPSE: O bafo cruel e impiedoso do Inverno já se sente. Quando Jon Snow consegue regressar à Muralha, perseguido pelos antigos companheiros do Povo Livre, não sabe o que irá encontrar nem como será recebido pelos seus irmãos da Patrulha da Noite. Só tem uma certeza: há coisas bem piores do que a hoste de selvagens a aproximarem-se pela floresta assombrada.

OPINIÃO: Este é simplesmente o melhor livro da saga.
Confesso que as expetativas já eram imensas. Muita gente já me tinha falado da reviravolta que este livro traz à história, só nunca pensei que me fosse cair o queixo tantas vezes.
Desde o início até ao final da narrativa, os personagens entram em situações melindrosas e alguns acabam mesmo por ver-se confrontados entre a vida e a morte. Como com Martin nunca sabemos quando deixaremos de desfrutar, de vez, de uma personagem, imaginem a ansiedade que este livro carrega.
Tyrion começa por se mostrar complacente e diferente daquilo que o seu sangue Lannister espera dele, no entanto, reserva-nos uma surpresa nas suas ações.
Sansa ganha coragem para enfrentar dilemas e suplicios que a sua nova condição "floreada" acarreta, e Arya vê-se nas mãos de um dos seus piores inimigos sem ter para onde se virar. A fuga é possível, mas para onde?
Robb e a sua mãe enfrentam um casamento, cujas regras de cortesia se perdem, enquanto em Porto Real outro casamento sofre perturbações graves.
Jaime é uma das vozes deste volume e confesso-me rendida à personalidade do Regicida, nunca pensei que a sua mente pudesse trazer um enredo tão fascinante.
Jon, por sua vez, tem decisões a tomar e cada vez o vínculo que o une ao pai se acentua mais. O Snow tem sangue Stark nas veias e pretende mostrá-lo.
Quanto a Bran, não adianta muito, com muita pena minha, contudo há uma ligação deste com outras personagens, o que serve para aguçar o apetite dos próximos acontecimentos do jovem lobo.
Por último e deveras importante, Dany vê a ser cumprida a profecia de Mirri, os traidores cercam-na. O seu instinto de dragão está mais apurado que nunca e a rainha das tormentas eleva-se cada vez mais sobre o que é seu por direito. A sabedoria entranha-se nela, Westeros que se acautele...
Adorei, mais uma vez. A capacidade de Martin de transformar a história a cada capítulo, a sua coragem de nos pregar rasteiras e de nos deixar completamente às avessas.
Uma obra prima da fantasia.

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