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terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Entrevista a Fábio Ventura

Esta é a 1ª entrevista dentro deste molde, mais se seguirão.
O objetivo é que a partir desta entrevista façam vocês as vossas perguntas. 
Para submeter perguntas ao Fábio enviem um e-mail para d311nh4@gmail.com e no assunto Entrevista a Fábio Ventura.
Ao atingirmos as 10 perguntas, sai a 2ª entrevista.
Que tal?
Agrada-vos?

 1. Fala-nos um pouco sobre ti.
Sou apenas alguém que gosta de criar histórias e que gosta de partilhá-las com os outros. Por outro lado, também adoro uma boa história, daquelas que são capazes de nos transportar para outros mundos.

2. Agora sobre os teus livros.
Os dois "Orbias" falam da questão dos mundos paralelos, de outras realidades que sempre se especulou que poderiam existir. É uma história repleta de fantasia onde tentei adicionar o máximo de "ingredientes" possível para tornar a experiência do leitor mais enriquecedora (romance, humor, drama, suspense, etc.). No fundo, o mundo paralelo de Orbias funciona como uma metáfora da necessidade de escape que todos nós temos. Toda a sua beleza natural, cenários idílicos e magia, embora escondam um lado negro, funcionam como uma fuga perfeita à dura realidade da nossa Terra. E é nesse sentido que há uma aproximação entre o leitor e a personagem principal, Noemi. Ambos descobrem o novo mundo ao mesmo tempo.

3. De onde surgiu a idéia para esta história?
Houve três elementos que estiveram na origem da criação da história. A ideia dos mundos paralelos e secretos sempre me fascinou. Já o vimos nas "Crónicas de Narnia", em "Alice no País das Maravilhas", entre outros. Por isso, sabia que iria pegar nesse elemento. Por considerar que o género fantástico português carecia de um lado mais moderno e urbano, decidi apostar mais em elementos de fantasia urbana. Por último, quis dar mais protagnismo a um grupo de personagens femininas. A partir desses três elementos, a história foi nascendo e crescendo até escrever a última frase do primeiro livro.

4. Já tens projetos futuros? Pretendes manter o mesmo género? Podes dar-nos uma luz do que virá?
Neste momento, há um terceiro livro na editora que ainda está dependente de uma decisão. Será algo novo, diferente dos dois Orbias, embora tenha mantido o meu estilo. Afastei-me um pouco do Fantástico, embora esta nova obra ainda tenha uma forte presença do sobrenatural e do surreal. Tirando esse novo livro, estou a preparar-me para escrever dois contos e tenho em mãos um projecto online que ainda está numa fase muito embrionária.

5. O que pensas da literatura portuguesa? Costumas ler? Achas importante apostar no que é nacional?
Na minha opinião de leitor e autor, penso que a literatura portuguesa sofreu uma grande transformação nos últimos tempos. Surgiram grandes nomes da literatura que elevaram o nome de Portugal no estrangeiro e noto que os leitores portugueses compram cada vez mais os seus livros. Houve um grande conjunto de factores que abriram as portas a novos autores portugueses, tanto de autores mais literários como autores mais comerciais, e isso perimitiu estimular o mercado dos livros. É muito importante estimular o que é nacional, obviamente. Temos uma cultura muito rica e um potencial enorme. Não havia necessidade de importar tantos autores estrangeiros, o melhor seria investir mais nos nacionais e exportá-los.

 6. Autores que te inspiram:
"Inspirar" é uma palavra muito forte. Inconscientemente, posso ser influenciado pelos meus autores favoritos, mas tento que essa influência seja mínima. O Haruki Murakami é, neste momento, o autor que mais me fascina. Neil Gaiman é uma referência para mim, bem como o Scott Westerfeld, Cassandra Clare, JK Rowling. A nível de autores clássicos, não posso deixar de referir os nomes de Lewis Carrol e George Orwell. Relativamente a autores portugueses, sem dúvida alguma que é o Afonso Cruz.

7. Livros:
"Kafka à beira-mar", de Haruki Murakami, "Deuses Americanos", de Neil Gaiman, "1984" de George Orwell, "O Livro das Coisas Perdidas", de John Connoly, "Os Livros que devoraram o meu pai", de Afonso Cruz, entre muitos outros que não me tocaram tanto como estes. Também não posso deixar de referir a saga do "Harry Potter". Foi graças ao pequeno feiticeiro que percebi o quão maravilhosa era a leitura.


8. Filmes:
"Gosto bastante do Eduardo Maos de Tesoura, Estranho Mundo de Jack, A Noiva Cadaver, A Viagem de Chihiro, O Castelo Andante. Sou um grande fã de Tim Burton e de Hayo Miyazaki. Mas diria que o meu filme preferido é mesmo O Fabuloso Destino de Amélie. De todas as vezes que o vejo, diz-me sempre coisas diferentes"

9. Apelos ou agradecimentos que queiras deixar:
Sem tentar parecer lamechas ou cliché, não podia deixar de agradecer aos meus fantástico e fiéis leitores. Se consegui alcançar algum sucesso e popularidade e se posso falar de um universo Orbias, foi graças à sua dedicação e entusiasmo. Obviamente que os bloggers também foram muito importantes neste processo. Foram uma preciosa ajuda na divulgação dos meus livros. Um muito obrigado a todos eles também.

10. O que achas do blog d311nh4?
Penso que é um blog literário muito dinâmico e activo e com um importante trabalho de divulgação da literatura, portuguesa e estrangeira. Tem um grande potencial de crescimento e só consigo prever sucesso para o blog. 



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quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Oliver Twist - Charles Dickens

Adicionar legenda
SINOPSE: Obra maior de Charles Dickens, Oliver Twist destaca-se pelo seu realismo, retratando pela primeira vez a rudez dos gangs londrinos, até então descritos com glamour e romantismo. Realça a vida de escravatura das crianças de rua e um submundo paralelo ao mundo imperial da Grã-Bretanha.
Ladrões, assassinos, mentes perversas, prostitutas, a dureza da vida na sarjeta num mundo sem esperança povoam o universo de Oliver Twist, o órfão que personifica a resistência ao sofrimento à corrupção e à luta pela vida que faz dele um verdadeiro sobrevivente. Diversas vezes adaptado ao cinema e à televisão, Oliver Twist tem agora uma nova versão cinematográfica pela mão do mestre Roman Polanski.

OPINIÃO: Como ficar indiferente a uma obra destas? É impossível... Um clássico é um clássico. A afirmação parece cliché, mas não há nada mais verdadeiro do que isto.
O realismo patente neste romance e a crueldade impingida às crianças forma um nó na garganta que nos acompanha quase até ao fim.
A má sorte de Oliver deu-se a partir do seu nascimento. Entregue a um mundo frio, sem respeito pelos pobres logo, pelos órfãos, ele vê-se confrontado com inúmeras situações degradantes ao espírito humano. É muito tardia a hora em que vemos a criança a ser tratada como um ser humano e mesmo aí, a sua vida sofre oscilações repentinas.
A obra tem o nome Oliver Twist, mas não nos deixemos enganar. A proeza deste romance está na construção dos "bandidos". A frieza, a ganância, a necessidade elevada ao grau máximo e a falta de moralidade criada a partir das experiências de repulsão em vida, fazem de Fagin e de Sikes a mestria de Dickens.
Para além destes dois, tenho de mencionar o Trapaceiro. Tive pena de não ter visto mais deste jovem Astucioso.
Os três ladrões funcionam de uma forma hierárquica de maldade. Num grau muito escasso de malvadez temos o Trapaceiro, que é levado pela esperteza que o caracteriza a sobreviver numa Londres impiedosa. Fagin é uma raposa. O espírito do judeu é bordado a ouro e nada mais importa; é o retrato fidedigno do pecado da avareza.
Sikes é o diabo na terra. A sua incapacidade de amar, de demonstrar afeto, de ser, até, miseravelmente amável é o que faz dele a escuridão na vida de Oliver. É humano porém, aterrorizante.
O fatalismo está presente, assim como o realismo na quebra das expetativas finais. Apesar de o destino cair com força sobre quem merece, nada é um mar de rosas e há inocentes que pagam pelos erros dos outros, assim como na vida.
Tornou-se um dos meus livros preferidos de sempre. É obrigatório!

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

A Tormenta das Espadas - George R.R.Martin


SINOPSE: Os Sete Reinos estremecem quando os temíveis selvagens do lado de lá da Muralha se aproximam, numa maré interminável de homens, gigantes e terríveis bestas. Jon Snow, o Bastardo de Winterfell, encontra-se entre eles, debatendo-se com a sua consciência e o papel que é forçado a desempenhar. 

Todo o território continua a ferro e fogo. Robb Stark, o Jovem Lobo, vence todas as suas batalhas, mas será ele capaz de vencer as mais subtis, que não se travam pela espada? A sua irmã Arya continua em fuga e procura chegar a Correrrio, mas mesmo alguém tão desembaraçado como ela terá dificuldade em ultrapassar os obstáculos que se aproximam. 
Na corte de Joffrey, em Porto Real, Tyrion luta pela vida, depois de ter sido gravemente ferido na Batalha da Água Negra, e Sansa, livre do compromisso com o rapaz cruel que ocupa o Trono de Ferro, tem de lidar com as consequências de ser segunda na linha de sucessão de Winterfell, uma vez que Bran e Rickon se julgam mortos. 
No Leste, Daenerys Targaryen navega na direcção das terras da sua infância, mas antes terá de aportar às cidades dos esclavagistas, que despreza. Mas a menina indefesa transformou-se numa mulher poderosa. Quem sabe quanto tempo falta para se transformar numa conquistadora impiedosa? 

OPINIÃO:  Se ao início achei o enredo parado e demasiado descritivo, Martin tornou a esbofetear-me com as mudanças que faz sem aviso prévio. Quando um capítulo parece não arrancar e enrolar o leitor, ele consegue surpreender.
Novas alianças estão criadas. Umas por interesse, outras por obrigação, outras por amor e outras secretas; outras, tudo ao mesmo tempo. As personagens estão, mais do que nunca, interligadas e com as vidas cruzadas. Lannister's e Stark's, Baratheons e as casas do Sul, e Targaryen que se move lentamente pelas águas profundas a caminho do que é seu por direito.
Daenerys foi o meu maior deleite neste livro. Depois de odiá-la por um momento, devido a uma atitude que reprovei, ela sobe na minha consideração e mostra-se uma mulher de armas, de guerra, uma verdadeira rainha.
Tyrion também é, apesar de submisso ao pai que o repugna, entregue a uma aliança vantajosa para os mantos carmesim. Apesar da sua relutância, esta união irá engrandecer a obra, porque é inevitável não ficar curioso quanto às percurssões desta forçada união entre semelhantes casas.
Jon, por sua vez, destaca-se fora do seu ambiente já tão habitual. A personagem já merecia um certo destaque e finalmente vemos isso a acontecer neste volume.
Por último, tenho de bater palmas ao novo "narrador", Jaime. Adorei ver o mundo pelos olhos da distorcida mente, obcecada pelo incesto prazeroso que o consome, Regicida. Está a tornar-se uma das personagens mais notáveis desta fabulosa saga. As revelações das lembranças dos gémeos enquanto crianças são passagens "barulhentas" para a moralidade humana. Jaime vê o seu passado com prazer e puro amor. "Se eu fosse uma mulher, seria Cersei." - diz ele. Simplemente adorei esta constatação e a reflexão que daí advém, quem poderia o egocêntrico Jaime amar, além de si próprio? A sua faceta feminina, claro!
Torna-se a falar, mesas juntam-se para debates, promover estratégias, mas o confronto está próximo e vai ser sangrento e sobretudo digno de se ver, uma vez que os senhores desconhecem os verdadeiros inimigos que veem do Norte e a surpresa que ruma vinda do Sul com 3 dragões ao colo.

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