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quinta-feira, 17 de novembro de 2011

A Tormenta das Espadas - George R.R.Martin


SINOPSE: Os Sete Reinos estremecem quando os temíveis selvagens do lado de lá da Muralha se aproximam, numa maré interminável de homens, gigantes e terríveis bestas. Jon Snow, o Bastardo de Winterfell, encontra-se entre eles, debatendo-se com a sua consciência e o papel que é forçado a desempenhar. 

Todo o território continua a ferro e fogo. Robb Stark, o Jovem Lobo, vence todas as suas batalhas, mas será ele capaz de vencer as mais subtis, que não se travam pela espada? A sua irmã Arya continua em fuga e procura chegar a Correrrio, mas mesmo alguém tão desembaraçado como ela terá dificuldade em ultrapassar os obstáculos que se aproximam. 
Na corte de Joffrey, em Porto Real, Tyrion luta pela vida, depois de ter sido gravemente ferido na Batalha da Água Negra, e Sansa, livre do compromisso com o rapaz cruel que ocupa o Trono de Ferro, tem de lidar com as consequências de ser segunda na linha de sucessão de Winterfell, uma vez que Bran e Rickon se julgam mortos. 
No Leste, Daenerys Targaryen navega na direcção das terras da sua infância, mas antes terá de aportar às cidades dos esclavagistas, que despreza. Mas a menina indefesa transformou-se numa mulher poderosa. Quem sabe quanto tempo falta para se transformar numa conquistadora impiedosa? 

OPINIÃO:  Se ao início achei o enredo parado e demasiado descritivo, Martin tornou a esbofetear-me com as mudanças que faz sem aviso prévio. Quando um capítulo parece não arrancar e enrolar o leitor, ele consegue surpreender.
Novas alianças estão criadas. Umas por interesse, outras por obrigação, outras por amor e outras secretas; outras, tudo ao mesmo tempo. As personagens estão, mais do que nunca, interligadas e com as vidas cruzadas. Lannister's e Stark's, Baratheons e as casas do Sul, e Targaryen que se move lentamente pelas águas profundas a caminho do que é seu por direito.
Daenerys foi o meu maior deleite neste livro. Depois de odiá-la por um momento, devido a uma atitude que reprovei, ela sobe na minha consideração e mostra-se uma mulher de armas, de guerra, uma verdadeira rainha.
Tyrion também é, apesar de submisso ao pai que o repugna, entregue a uma aliança vantajosa para os mantos carmesim. Apesar da sua relutância, esta união irá engrandecer a obra, porque é inevitável não ficar curioso quanto às percurssões desta forçada união entre semelhantes casas.
Jon, por sua vez, destaca-se fora do seu ambiente já tão habitual. A personagem já merecia um certo destaque e finalmente vemos isso a acontecer neste volume.
Por último, tenho de bater palmas ao novo "narrador", Jaime. Adorei ver o mundo pelos olhos da distorcida mente, obcecada pelo incesto prazeroso que o consome, Regicida. Está a tornar-se uma das personagens mais notáveis desta fabulosa saga. As revelações das lembranças dos gémeos enquanto crianças são passagens "barulhentas" para a moralidade humana. Jaime vê o seu passado com prazer e puro amor. "Se eu fosse uma mulher, seria Cersei." - diz ele. Simplemente adorei esta constatação e a reflexão que daí advém, quem poderia o egocêntrico Jaime amar, além de si próprio? A sua faceta feminina, claro!
Torna-se a falar, mesas juntam-se para debates, promover estratégias, mas o confronto está próximo e vai ser sangrento e sobretudo digno de se ver, uma vez que os senhores desconhecem os verdadeiros inimigos que veem do Norte e a surpresa que ruma vinda do Sul com 3 dragões ao colo.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Frankenstein - Mary Shelley

SINOPSE:
Victor Frankenstein, um jovem estudante em Ingolstadt, após quatro anos de trabalhos exaustivos em laboratório, consegue dar vida e criar um monstro a partir de corpos de seres humanos que obtinha em cemitérios e hospitais.

Eis o mito de um moderno Prometeu, aquele que deu vida ao homem através de um pedaço de argila, magistralmente recriado por Mary Shelley: ao dar vida a um monstro, este, mal abre os olhos, revolta-se com a sua triste condição e resolve vingar-se do seu criador, perseguindo-o até à morte.

OPINIÃO:
Quem pensar que vai entrar neste livro e ver uma história de terror, com imagens grotescas, medo e mistério, que se desengane. Frankenstein mostrou-se uma grande surpresa para mim, que via este clássico da forma como é representado na sétima arte, sem a consistência psicológica que o acarreta.
Dei por mim e mergulhar de cabeça, sem aviso prévio, numa história carregada de melancolismo, dor, sentimentos ao rubro e muita, muita culpa. 
O fatalismo para aqueles que tentam fazer as vezes de Deus, aquela agonia na alma que é o peso na consciência e aquele buraco que sentimos no peito que é o segredo que guardamos. Assim é o nosso Vitor Frankenstein depois de brincar de criador e se ver perseguido pelo castigo, pelas consequências do seu ato.
Que Frankenstein era tão humano, foi, sem dúvida, uma novidade para mim. Sempre o tinha categorizado como louco e lunático, mas enganei-me. O cientista é de fato um homem dotado de uma inteligência majestosa que, levado pelo orgulho e pela arrogância, descobre o segredo da vida. A sua juventude e sede de reconhecimento leva-o a pôr em prática o segredo da alquimia, e como tudo que imaginamos nunca é exatamente o que prevemos, o seu homem perfeito renasce na forma de um mosntro soberbo talhado de carne morta.
Os erros de Frankenstein não terminam aqui, vejamos, estamos numa sociedade de aparências e tudo aquilo que exteriormente é feio, o ser humano assume a sua fealdade interior. Frankenstein abandona a sua criação à sua própria sorte. 
O monstro no início dos seus dias, não passa de uma criança, ingénua, ignorante, com fome de carinho e orientação.
São os tratamentos violentos a que é sujeito que o levam a cultivar dentro de si a vingança sobre quem o criou. 
Assim começa a caça do criado ao criador e rapidamente assistimos à inversão dos papéis.
Esta obra transmite fúria, dúvida, pena e angústia. O leitor vê-se encurralado na condição de ambas as personagens e tenta encontrar um culpado para tal desfecho, mas é dificil atribuir culpas onde há tanta dor.
Um clássico é um clássico e Frankenstein tem o mérito de se manter absolutamente atual ainda nos nossos dias.

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Ups! Engoli uma estrela - Adoa Coelho


SINOPSE: "Uma jovem descobre um dos segredos maiores da humanidade: não estamos sozinhos! Mas... Será que tudo não passa de um sonho? De um conto infantil? Pode aquele ser, invisível e sábio, realmente existir? 

Desde o primeiro amor, ao bullying, aos medos e às inseguranças de crescer e ser, vamos percebendo que somos feitos de luz e sombra e que estes reptos podem ser ultrapassados. As aventuras de uma adolescente dão o mote para a descoberta do ser. Começando por uma abordagem terrena no primeiro dos livros, logo se vai elevando, tanto nos caminhos fantásticos da imaginação, como nos conceitos de autoajuda lecionados pelos grandes mestres da atualidade."

OPINIÃO:  A capa é lindissima, o título é de uma originalidade tremenda e o conteúdo?
Ao início fiquei com a sensação de que era um livro dirigido exclusivamente para crianças, dada a simplicidade das palavras, a doçura das situações e a voz notoriamente mais velha e reflexiva do narrador em relação às atitudes da rapariga e de O. No entanto, quando confrontada com moralidades complexas de reflexão, apercebi-me que é necessário ter alguma maturidade para entender o que nos é descrito. Mais à frente, perto do final, a violência psicológica do vilão e a escuridão que o cerca leva o leitor a ter de refletir sobre variados temas que indiretamente este nos expõe e exclui o público demasiado infantil.
Uma particularidade que achei interessante foi a utilização da personagem tipo. Há imenso tempo que não lia um livro em que os protagonistas, simplesmente, não possuem nome. Remeto-nos aos grandes clássicos portugueses, nomeadamente a Saramago que tinha por hábito intitular as personagens com o género, espécie ou profissão.
O nome da "criatura" é fantástica. A autora utiliza o símbolo @ para se referir ao sexo, o que dá a idéia de estarmos perante um It(em inglês) ou um das(em alemão), isto é, uma criatura neutra. O nome del@ é O e quando come a estrela fica a ser O com um * no meio. Simplesmente fantástico!
Para terminar tenho de fazer referência a uma ligação que inconscientemente fui fazendo ao longo do livro, a forma como o "Ups! Engoli uma estrela" me fez lembrar o grande clássico "infantil", "O Principezinho". Isto, porque tem a linguagem inocente e reflexiva e o enredo leva-nos a desmistificar temas e a pensar solenemente sobre eles. Apesar de este livro ser absolutamente contemporâneo, há uma tentativa de salientar a hipocrisia das diferenças e a arrogância humana para o seu lado negativo.

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