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quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Entrevista a Pedro Miguel Rocha - "Chegámos a Fisterra"

  Um pouco sobre o autor: 
Pedro Miguel Rocha nasceu a 19 de Outubro de 1973, na vila de Vouzela, distrito de Viseu, cidade onde realizou os seus estudos, desde o primeiro ciclo até ao ensino secundário. Em 1992 iniciou a sua licenciatura em Ensino de Português e Inglês, na Universidade do Minho, em Braga, tendo-a concluído em 1997. Desde essa data, desempenha a sua actividade docente, como professor de Inglês, tendo percorrido escolas do ensino básico e secundário de concelhos diversos: Monção, Vieira do Minho, Braga, Praia da Vitória (Açores), Valença, Ponte de Lima, Santa Maria da Feira, Seia, Terras de Bouro, Felgueiras, Guimarães, Ponte da Barca, Penafiel e Vila Verde. Conciliando com a sua actividade profissional, já redigiu textos jornalísticos para alguns órgãos de informação, sobretudo jornais, mas só em 2009 conseguiu realizar o seu grande sonho, o sonho de ser escritor, publicando Juntos Temos poder.
  
ENTREVISTA:
 
Olá Pedro.
Em primeiro lugar quero agradecer a oportunidade que me foi dada de poder entrevistá-lo e aproveito para congratulá-lo pelo “Chegámos a Fisterra”.

Vou tentar ser concisa nas perguntas.

·         De onde surgiu a inspiração para a criação desta obra?

Inspirei-me, em parte, nas dificuldades que encontrei na publicação do meu primeiro livro. Apesar de, obviamente, não existir censura em Portugal, há outras formas mais subtis de “apagar” determinados registos de escrita e de “promover”, através dos diferentes meios de comunicação social, outras obras que sejam mais lucrativas e que façam abraçar as editoras a rostos já conhecidos do público em geral. 

·         Que mensagem pretende passar aos seus leitores?

Creio que uma das fortes mensagens subjacentes ao enredo do livro acaba por ser a ideia de resistência perante um determinado tipo de injustiça ou de incoerência. Mesmo que possamos ser penalizados pelas ideias que defendemos, nunca devemos desistir delas, lutando, até às últimas consequências, para que estas possam ter o seu espaço na sociedade.

·         Acredita que a censura é ainda uma realidade no século XXI?

Em alguns países do Globo, sem dúvida que continua a existir. Basta atentar, por exemplo, no caso da China. Nos países ditos ocidentais há, como referia há pouco, outras formas de conduzir as massas ao encontro de ideais políticos ou do consumo de certo tipo de bens. Regra geral – e eu incluo-me, também, nesse grupo - não damos conta que estamos a ser encaminhados para a reprodução de determinados hábitos que levam a uma vincada padronização da sociedade.

·         Porquê situar a obra em Espanha e Inglaterra?

Situei parte da história em Inglaterra porque a ideia do livro abandonado e esquecido  num depósito de uma biblioteca surgiu-me, precisamente, quando visitei a Biblioteca Pública de Old Harlow, uma pequena localidade nos arredores da grande área metropolitana de Londres. Quanto à Galiza, devido a uma forte ligação sentimental que nutro por aquela região autónoma de Espanha, tenho, na verdade, situado por lá alguns dos enredos que desenvolvi, tendência que irá, seguramente, continuar nas minha próximas obras.

·         Fala-se muito nas dificuldades que os novos autores enfrentam no mundo editorial. Quer comentar?

É um facto que o mercado editorial português, à semelhança do que se passa noutras áreas, tem vindo a concentrar-se em volta de grandes grupos económicos que primam a sua actividade por uma acentuada competitividade e agressividade comercial. Nesse contexto, não há grande lugar para o risco e para apostar em autores que não sejam instantaneamente absorvidos pelo mercado. Compreendo, por um lado, a necessidade das editoras sobreviverem numa altura de acentuada crise económica mundial, mas fico triste por se ignorarem por completo outras “janelas de oportunidades” e outro tipo de escrita e de autores que, cada vez mais, são esmagados pelo marketing que invade as livrarias. Aliás, há cadeias comerciais que, provavelmente, ganham mais com o variado tipo de publicidade e com o pagamento da localização de obras dentro da sua loja do que, propriamente, com a venda de livros.

·          Que conselho (s) daria a quem pretendesse publicar um livro? Para que tipo de situações se devem preparar?

O conselho principal, acima de tudo, é para nunca desistirem das suas obras. Por mais portas que se fechem à sua publicação (e serão sempre muitas), haverá - estou em crer - sempre um espaço, por mais pequeno que este seja, para a divulgação de ideias, de causas e de ideais. Nem todos os livros podem ser best-sellers, nem todos os autores podem ser reconhecidos pelo mercado, mas todos os escritores têm o direito de dar a conhecer as suas obras e expô-las à justa e isenta apreciação dos leitores.

·         O que sente perante a ideologia de reviver o passado? Acredita que é possível, que é desejável?

Quando, no “Chegámos a Fisterra”, se apela a um regresso ao Passado, está-se a chamar a atenção para um excesso de consumo que esta crise actual está a colocar a nu. Não é, na minha opinião, sustentável o facto do ser humano correr permanentemente atrás de todas as novidades que o mercado lhe impinge. Considero que nos faz falta um pouco mais de simplicidade na sociedade actual e, nesse sentido, confesso que sinto, por vezes, alguma nostalgia de vivências da infância.

·         Alguns autores que sirvam de inspiração?

Retirando os autores que li nos tempos de Escola e de Universidade, creio que o escritor que mais influencia a maneira como, actualmente, escrevo é Carlos Ruiz Zafón.

·         O “Chegámos a Fisterra” termina por aqui ou terá um segundo livro?

Acredito que terminou por aqui. Não é minha intenção, para já, construir sequelas das minhas obras. Em 2011, se tudo correr bem, tenciono publicar “O Eremita Galego” – obra finalista do Prémio Literário Esfera das Letras 2010 – e escrever o meu próximo livro.


Muito obrigada pela disponibilidade e amabilidade em me responder.
Foi um prazer.
Votos de muito sucesso.

Andreia Ferreira


terça-feira, 14 de dezembro de 2010

O Diário - Eileen Goudge

Sinopse: 
Quando duas irmãs encontram no sótão um velho diário da mãe, descobrem, para grande choque de ambas, que o seu verdadeiro amor não foi o pai. Mas será que as coisas são aquilo que parecem? Esse é o grande mistério com que se deparam e que têm de desvendar sozinhas, pois a mãe encontra-se no leito da morte, num lar, sem conseguir falar - só as páginas do seu diário podem fornecer as pistas. Numa viagem ao passado, revela-se uma jovem Elizabeth Marshall perdidamente apaixonada por um homem… estando comprometida com outro. Ela tem, por fim, de escolher entre Bob, estável e leal, e AJ, enérgico e imprevisível. Quando AJ é associado a um suspeito incêndio, a jovem enfrenta a decisão mais penosa da sua vida: Elizabeth é a única que pode limpar o nome dele, mas fazê-lo arruinaria a sua reputação e custar-lheia o amor do noivo. O Diário é uma história de amor e a história de uma família. É também sobre uma questão que, a determinada altura da vida, todos colocamos: até que ponto conhecemos realmente os nossos pais? A resposta pode ser surpreendente…

Opinião: 

Uma história de amor palpável com todas as desavenças que o mundo real pode trazer. 

Através de Elizabeth conhecemos o significado da palavra paixão e a importância que esta tem para a felicidade vindoura. 
Um ataque sólido ao conformismo, às relações amargas e sem fogo e à hipocrisia de quem vive de aparências.
Extremamente emotivo capaz de levar às lágrimas os mais sensíveis.
Um livro pequeno, fácil de ler e bastante terapeutico, no sentido em que esboçamos pequenos sorrisos ao longa da sua leitura sem sequer darmos conta.
É muito fácil entrar no mundo de Eileen Goudge e muito prazeroso também.

Porém, confesso que apesar de o desfecho ser "inesperado", já esperava. Contudo não perdeu nem um pouco da força da narrativa.

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Chegámos a Fisterra - Pedro Miguel Rocha

SINOPSE:
Chegámos a Fisterra convida o leitor a acompanhar de perto a história pessoal de Chris Andrew Brown, um jovem bibliotecário inglês de 23 anos. Chris descobre, no depósito da biblioteca de Old Harlow, em Inglaterra, um misterioso livro esquecido pelo Tempo.
A obra, escrita por um autor galego no início da década de 90, coloca em causa a presente organização da nossa sociedade e aponta caminhos alternativos que se revelam comprometedores para as grandes empresas multinacionais, já que estes apontam claramente para uma desmaterialização da sociedade e para um regresso inequívoco ao Passado.
Ao querer fazer renascer a referida obra, o bibliotecário inglês enfrentará perigos inesperados, deparando-se com a obscuridade dos corredores do Poder, cujos detentores não permitem que as bases da sociedade capitalista possam ser colocadas em causa por um manuscrito que a História havia já condenado ao esquecimento.
Chegámos a Fisterra demonstra-nos, assim, a força ideológica que as páginas de um livro podem encerrar, bem como a sua capacidade de resistência perante as crescentes tentativas de censura e de manipulação da informação.

OPINIÃO:
Em primeiro lugar tenho de dizer que adorei o “Chegámos a Fisterra”. Nunca fui fã de histórias de acção, investigação ou mesmo policiais mas o Pedro Miguel Rocha construiu uma narrativa sólida e extremamente cativante, de devorar página a página.
A temática do livro proibido não é de facto novidade. A censura é um tema corrente na literatura mas nunca relativa ao século XXI. É inimaginável imaginar que nos dias actuais possa haver forças que barrem determinadas informações à humanidade. No entanto o “Chegámos a Fisterra”, através de um enredo impressionante carregado de acção, entrega-nos a um mundo onde a corrupção existe e a força do dinheiro sobrepõe-se a qualquer lei democrática, até mesmo moral.
Quanto à constituição formal da obra, Pedro Miguel Rocha escreve com mestria, pois, além do bom uso do português, escreve com fluência evitando os momentos mortos que este género de narrativa dispensa. A história arrebata-nos com surpresas constantemente para que o leitor não perca o interesse. Por fim, é-nos dado a conhecer o íntimo das personagens na primeira voz, o que permite uma conexão mais intrínseca com os mesmos.
Tenho de mencionar que desenvolve no leitor sentimentos de angústia, revolta e algum receio porque sendo cruamente relatada num espaço real, a obra é derradeiramente realista e é muito fácil ver-nos na pele das personagens.

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