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segunda-feira, 22 de novembro de 2010

O Belo e a vida - Susana Santos Silva

O que é que se aprende quando se pergunta a um cineasta, a um músico, a um professor, a uma pintora, a um ex-bailarino, a um actor, e a um escultor o que pensam quando ouvem as palavras Ética, Estética e Cidadania?
Foi em busca destas respostas que Susana Santos Silva se aventurou. Uma experiência que segundo a autora a marcou e a pôs a reflectir profundamente sobre a actualidade. Note-se que as figuras entrevistadas são pessoas que possuem uma cultura riquíssima para além de terem vivido em tempos muito divergentes dos que hoje conhecemos. Arriscar-me-ei dizer que o mundo que estes senhores habitaram não possuía as facilidades que a actualidade produz e no entanto fizeram-se artistas que dificilmente são superados pelos contemporâneos.
“O Belo e a Vida” é um livro composto por oito entrevistas a diferentes entidades ligadas à arte. Apesar de haver um ponto que todos os artistas partilham, o facto de todo o ser humano ser intimamente um artista, há características nos diálogos que moldam as suas personalidades, logo as suas visões face aos três temas abordados.
O cineasta António Alçada Baptista fala da “tribo” e dos deveres que esta sustém no seu seio; o músico, Maestro António Victorino de Almeida enfatiza a inconsistência que molda estes conceitos, qualificando-os como abstractos; o professor António Jacinto Rodrigues relembra a sua vivência numa sociedade revolucionária e barrada pelo fascismo; a pintora Maria Helena Abreu apela à hipersensibilidade e à importância da instituição família; o Ex-bailarino Jorge Salavisa conta a rebeldia que o motivou, a irreverência pelas limitações impostas pela sociedade, pelas instituições que o acompanharam; o actor Ruy de Carvalho realça a palavra respeito e o seu valor (quase) perdido; o escultor José Rodrigues quer ver um mundo onde o ser humano se movimente conforme a sua emoção/razão e que faça pressão contra a rotina que os oprime; por fim, o cineasta Fernando Lopes brada a liberdade.
Este conjunto de entrevistas, para além dos conceitos abordados, faz menção a problemáticas que assolam a contemporaneidade. Susana Santos Silva elabora três capítulos finais onde, através de frases retiradas estrategicamente das entrevistas, reflecte nas vertentes:  “O nosso tempo”, “A nossa natureza” e “O nosso caminho”.  
Susana Santos Silva traz aos leitores este legado no intuito de partilhar esta experiência, as palavras, as reflexões que a acompanharam neste percurso intelectual e no fundo tão simples como existir.
A linguagem é cuidada, afinal estamos a falar de figuras de elevado estirpe cultural e social, o palavreado rebuscado mas de leitura bastante corrente. Uma vez iniciada uma entrevista, é impossível parar até chegar à última pergunta. Cada entrevista, um ensinamento.

sábado, 20 de novembro de 2010

As Valquírias - Paulo Coelho


Sinopse: Uma história que mostra claramente o homem que existe por detrás do mago, e isto poderia decepcionar alguns poucos que estão em busca de “seres perfeitos”, com verdades definitivas a respeito de tudo. Mas os verdadeiros Buscadores sabem que, independentemente de todas as nossas falhas e defeitos, o Caminho Espiritual é mais forte. Deus é amor, generosidade e perdão; se acreditarmos nisto, nunca deixaremos que as nossas fraquezas nos paralisem.
 
Opinião: Este livro é um percurso intensivo ao qual Paulo Coelho nos transporta pelo deserto.
Numa viagem turística, Paulo e a sua esposa encontram o fio à meada que os levará de encontro às famosas, míticas valquírias.
Uma história interessante no ponto de vista cultural, mas, no entanto, um pouco aborrecida devido aos momentos "mortos" de acção.
Com Paulo coelho aprende-se sempre novas técnicas espirituais, aqui, ele explica o conceito das duas mentes que todo o ser humano possui. Há uma necessidade de esvaziar a primeira(aquela que retém as músicas, as palavras que dizemos sem pensar etc) para por fim conseguirmos, através da segunda, comunicar com o dito "anjo da guarda".

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Morte no Nilo - Agatha Christie

Sinopse:
Um dos mais famosos casos de Hercule Poirot. A tranquilidade de um cruzeiro ao longo do Nilo é ensombrada pela descoberta do cadáver de Linnet Ridgeway. Ela era jovem e bela; e tinha tudo… até perder a vida! Hercule Poirot apercebe-se de que, a bordo do navio, todos os passageiros são possíveis assassinos: pelas mais diversas razões, todos tinham algo a apontar a Linnet. Mas quem terá sido levado ao acto extremo de a alvejar? Ainda que tudo aponte para a mesma pessoa, o detective cedo descobre que naquele cenário exótico nada é exactamente o que parece.
"Morte no Nilo" (Death on the Nile) foi originalmente publicado em 1937, na Grã-Bretanha. A edição americana veria a luz do dia em 1938. O filme homónimo, de 1978, conta com um elenco de luxo, de onde se destacam os nomes de Peter Ustinov (naquela que seria a sua primeira interpretação de Hercule Poirot), David Niven, Bette Davis, Angela Lansbury e Maggie Smith. A adaptação para teatro, feita pela própria autora, estreou em Londres em 1946 e subiu aos palcos americanos no mesmo ano, sob o título Hidden Horizon.

OPINIÃO:
Muitas vezes senti curiosidade de pegar num romance policial. Contudo, o fantástico sobrepôs-se sempre a estas tentativas.
Há cerca de um ano para cá, surgiu nos quiosques uma colecção lindíssima dos livros da Agatha Christie e aí pensei: ler policiais por ler, mais vale pegar na rainha do género, e assim fiz.
A morte no Nilo foi o primeiro livro da autora que me atrevi a ler e apesar de não ser fã deste tipo de enredo, confesso que fiquei rendida até ao final, a curiosidade de descobrir o assassino conseguiu arrastar-me até ao último parágrafo.
A personagem fulcral, o grande detective Poirot, faz jus à fama que lhe atribuem, pois, está extremamente bem construído no ponto de vista narrativo.
A história não diverge de muitas outras do género. Mortes estranhas ocorrem num barco durante a sua travessia no Nilo. Poirot, que se encontra também a bordo, segue pistas, primitivas comparadas às tecnologias a que hoje estamos habituados, para desvendar o autor dos crimes.
É sempre interessante seguir o raciocínio destas personagens sobretudo de Poirot, que não tendo acesso a métodos mais avançados, usa os seus cinco sentidos para se orientar, sempre solitário, na investigação.

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